02 de dezembro de 2020
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CULTURA

Regina vira fantoche e Carlos Bolsonaro é quem indica nomes à Funarte

Jair Bolsonaro humilha a atriz e depois de Sérgio Moro, essa é a segunda carreira à ser destruída pelo presidente

Após destruir a carreira de Sérgio Moro, Jair Bolsonaro agora mira a destruição da carreira de Regina Duarte, sua atual ministra da Cultura, tudo para satisfazer as vontades dos filhos olavistas, e também destruir seus possíveis concorrentes políticos, em uma futura eleição. Bolsonaro se refere aos bons ministros como "estrelas", que estariam querendo tirar seu brilho. Para o presidente, na presidencia, é somente o chefe que deve ter destaque.

Regina abandonou um contrato de mais de 50 anos com a Rede Globo para estar a frente do ministério a pedido de Bolsonaro, que na ocasião lhe teria prometido 'carta branca', apesar de agora, o presidente afirmar que nunca prometeu isso aos ministros, há gravações em que ele reafirma a promessa, assim como há Regina em sua posse, reforçando que esse foi um dos principais motivos de ela encarar o desafio. Acontece que Bolsonaro mentiu para ela, que agora vive sobre ameaças de olavistas no Planalto e se tornou um 'fantoche'.  

Regina entrou no governo acreditando que teria a tal 'carta branca' para trabalhar. Foi o que Jair Bolsonaro prometeu no altar do “casamento” celebrado pelo ministro Luiz Eduardo Ramos. Mas até o momento a ministra vive sob os ataques e não teve autonomia nem para demitir os antigos auxiliares de Roberto Alvim, o secretário aloprado que caiu da Cultura após parafrasear o nazista Joseph Goebbels.

A retomada olavista da Funarte não se resume ao retorno de Dante Mantovani à presidência da fundação, que ocorreu nessa manhã (5.maio). Montavani que é terraplanista e disse meses atrás que o "rock ativa a droga, que ativa o sexo, que ativa a indústria do aborto", estão entre suas declarações. Montavani também usou o twitter para dizer que Ségio Moro, seria em 2022: "Candidato da Esquerda".  

Seu número dois, o novo diretor-executivo, será Luciano Querido, esse que é ex-assessor de Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, onde esteve por quinze anos. Querido foi para a Funarte há dois meses como diretor de programas integrados. Quando trabalhava com Carlos cuidava da área de mídias sociais do gabinete. E deve ser essa a figura que será incubida de botar em prática os planos de Roberto Alvim, o demitido amado pelo olavistas e pelos filhos de Bolsonaro. 

Ambos, Mantovani e Querido, não são escolhas de Regina Duarte, teoricamente superiora hierárquica dos dois. Regina demitiu Mantovani em seu primeiro dia no cargo de Secretária da Cultura, no início de março passado. E Querido foi empurrado goela abaixo de Regina um mês depois.

Presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo é subordinado de Regina no organograma de poder da pasta. Nas redes sociais, Camargo prega abertamente contra a chefe, desconhecendo sua liderança. “Quem nomeia esquerdistas no governo Bolsonaro deveria ter vergonha na cara, retirar-se com sua turma e tentar voltar somente em 2022, por meio do voto”, escreve Camargo.

Regina tentou mostrar que segue viva na Cultura. Como primeira medida, anunciou uma flexibilização nas regras da Lei Rouanet para socorrer o setor na crise provocada pelo coronavírus. O subordinado da Fundação Palmares achou por bem de questionar a chefe por atuar em favor da classe artística: “Flexibilizou as prestações de contas da Lei Rouanet, beneficiando a sórdida classe artística”.

Bolsonaro tratou de humilhar um pouco mais a atriz. No relacionamento abusivo que estabeleceu com Regina, ele achou correto elogiar Camargo: “Nota dez para o Sergio Camargo! Ele parece o Hélio Negão”. O chefe da Fundação Palmares não tardou em agradecer o “apoio e reconhecimento” dado a ele pelo presidente.

*Com iformações do O Globo.