17 de abril de 2024
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ELEIÇÕES 2024

Risco n'água: em 5 dias, Jair Bolsonaro suspende apoio à João Henrique Catan

Inelegível deve apoiar reeleição de Adriane Lopes

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O apoio eleitoral mais curto da história foi registrado na Capital de Mato Grosso do Sul. O ex-mandatário inelegível, Jair Bolsonaro (PL), recuou do apoio à candidatura do deputado estadual João Henrique Catan (PL), seu fiel escudeiro na Assembleia Legislativa (ALEMS), para chefiar o Executivo campo-grandense.

Durante entrevista ao programa de B de Paula, da Rádio Difusora, na 6ª.feira (16.fev.24), Bolsonaro havia declarado que o nome de Catan foi o escolhido pelo PL em Campo Grande. “Não temos ambição exacerbada. Não está batido o martelo ainda, mas se Deus quiser, o Catan será nosso candidato aí em Campo Grande”, declarou o extremista de direita.

No encalço da entrevista de Bolsonaro, João Henrique celebrou sua 'pré-candidatura' em tom emotivo de 'estar na boca e no coração' do ex-mandatário. “Bolsonaro captou o sentimento da população sul-mato-grossense de ter um candidato do nosso partido (PL) para as eleições municipais, citou nosso nome e estou muito honrado e preparado para seguir em frente”, afirmou o deputado na 3ª feira (20.fev.24). 

No entanto, nesta 4ª.feira (21.fev.24), durante entrevista ao Blog do Elielson, do jornalista Elielson Lima, na Rádio CBN de Pernambuco, Bolsonaro citou que estaria conversando com a senadora Tereza Cristina, e que o PL não indicará o cabeça de chapa em Campo Grande. "Estamos acertando agora com a Tereza Cristina, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com a Tereza Cristina. Não é só a Tereza Cristina, é o deputado [Marcos] Pollon, que é o presidente estadual de lá", apontou. 

A palavra de Bolsonaro é como um ‘risco n’água’. A expressão foi cunhada pelo filósofo Tarcísio Burity, e define a inconsistência ou ausência de credibilidade de determinados anúncios e promessas governamentais.

Para além disso, trair aliados é uma prática comum no mundo de Jair Bolsonaro. Vamos lembrar que em 2022, ele declarou apoio à Capitão Contar (PRTB) ao governo, mas o abandonou no 2º turno

O extremista de direita deve, portanto, repetir esse movimento em 2024 e declarar apoio à candidatura de Adriane Lopes (PP).

Adriane Lopes posa para foto com a agora senadora Tereza Cristina (PP) e com o ex-mandatário do Planalto, Jair Bolsonaro (PL). Fotos: ArquivoAdriane Lopes posa para foto com a agora senadora Tereza Cristina (PP) e com o ex-mandatário do Planalto, Jair Bolsonaro (PL). Fotos: Arquivo

As 'traições de Bolsonaro' a extremistas de direita têm como pivô a mesma pessoa: a ex-ministra da Agricultura e Pecuária e agora senadora, Tereza Cristina (PP). Foi ela que orientou o apoio aos tucanos ao governo em 2022, e venceu Eduardo Riedel. Já pensando nas eleições de 2024, Tereza levou Adriane Lopes para seu partido em 2023, como mostramos aqui no MS Notícias.  

Acontece que Tereza tem alto capital político e está além das ideologias extremistas — ela não joga para perder — e vê numa candidatura solo do PL em Campo Grande, a derrota certa.