28 de fevereiro de 2024
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OPERAÇÃO TEMPUS VERITATIS

Valdemar Costa Neto segue preso em cela com beliche, 3 refeições e proteínas variadas

Flagrado com pepita de ouro e arma ilegal, extremista de direita teve prisão convertida em preventiva

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Flagrado pela Polícia Federal (PF), na 5ª feira (8.fev.24), em posse de uma pepida de ouro — de 39,18 gramas e tem 95,26% de grau de pureza — e uma arma de fogo ilegal, o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, continuará atrás das grades nesta 6ª feira (9.fev.24). 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes converteu a prisão do político antes provisória em preventiva, isso é, com prazo indeterminado para soltura. 

Advogado e amigo de Jair Bolsonaro (ex-presidente), Valdemar foi flagrado por federais que cumpriam mandatos no âmbito da Operação Tempus Veritates, que mira poderosos que articularam um golpe de estado no Brasil em favor de Bolsonaro.  

Moraes ainda deu o prazo de 24 horas para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre o pedido de liberdade provisória apresentado pela defesa de Valdemar.

CELA

Valdemar está numa cela de 5 x 3 metros na Superintendência da Polícia Federal (PF) do Distrito Federal.

A cela tem um beliche, com duas camas com um colchão do tipo hospitalar e uma mureta que divide a cama do local, onde há espaço para tomar banho e fazer necessidades fisiológicas. 

Valdemar teve direito a jantar com arroz, feijão, proteína e salada. Pela manhã, tem café, leite, pão e uma fruta. O cardápio do almoço é o mesmo do jantar, com mudança na proteína.

A cela é a mesma em que já passaram a noite Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados, e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, antes de serem transferidos a presídios. O espaço foi vistoriada antes da chegada do presidente do PL.

DE VOLTA À CADEIA

Valdemar é um político de extrema direita condenado no mensalão e já esteve por 11 meses na cadeia, tendo sido preso em 5 de dezembro de 2013. Ele deveria ficar encarcerado por sete anos e dez meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, mas acabou beneficiado e obtendo perdão de sua condenação por um decreto editado por Dilma Rousseff em 2016.

Em 2020, Costa Neto se tornou réu por peculato, corrupção passiva e fraude a licitação, acusado de participar do esquema de superfaturamento nas obras do trecho da Ferrovia Norte-Sul (FNS).

Em 2021, ao se filiar ao PL, Bolsonaro agradeceu a "confiança'" de Costa Neto. O ex-presidente disse à época ter "orgulho" de fazer parte da legenda, que integra o Centrão, bloco que ele criticou durante a campanha presidencial.

GOLPISTAS SEGUEM PRESOS

Moraes também manteve as prisões preventivas de Rafael Martins de Oliveira, Marcelo Costa Câmara e Filipe Garcia, outros acusados pela PF de golpismo pró-Bolsonaro.  

OPERAÇÃO TEMPUS VERITATIS

Como mostramos aqui no MS Notícias, a PF cumpriu na 5ª feira (8.fev.24), ao menos 33 buscas em dez estados contra generais, coroneis, assessores, aliados políticos e contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 

Foram presos os seguintes suspeitos:

O STF também autorizou mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar contra os seguintes alvos:

  • Jair Bolsonaro, ex-presidente; 
  • Valdemar Costa Neto, presidente do PL – partido pelo qual Bolsonaro disputou a reeleição;
  • Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022;
  • Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);
  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e Segurança Pública;
  • General Paulo Sérgio Nogueira, ex-comandante do Exército;
  • Almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante-geral da Marinha;
  • General Estevam Cals Theóphilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército;
  • Tércio Arnaud Thomaz, ex-assessor de Bolsonaro e considerado um dos pilares do chamado "gabinete do ódio";
  • Filipe Martins, ex-assessor especial de Bolsonaro;
  • Marcelo Câmara, coronel do Exército citado em investigações como a dos presentes oficiais vendidos pela gestão Bolsonaro e a das supostas fraudes nos cartões de vacina da família Bolsonaro;
  • Rafael Martins, major das Forças Especiais do Exército.
  • Bernardo Romão Corrêa Netto, coronel do Exército;
  • Ailton Gonçalves Moraes Barros;
  • Amauri Feres Saad;
  • Angelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército;
  • Cleverson Ney Magalhães;
  • Eder Lindsay Magalhães Balbino;
  • Guilherme Marques Almeida, coronel do Exército;
  • Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército;
  • José Eduardo de Oliveira e Silva;
  • Laércio Virgílio;
  • Mario Fernandes;
  • Ronald Ferreira de Araújo Júnior;
  • Sergio Ricardo Cavaliere de Medeiros.

As diligências integram a nova fase das investigações que miram o gabinete do ódio durante o governo
do ex-presidente.

A operação foi chamada de "Tempus Veritatis", que siguinifica: "hora da verdade", em latim.