Graças a uma articulação vitoriosa entre governo e bancada federal junto ao presidente Lula (PT) e ao Senado, Mato Grosso do Sul garantiu um financiamento de US$ 200 milhões (em torno de R$ 1 bilhão) para investir na recuperação e melhoria da malha viária. Um matiz de mérito político marcou a construção da conquista: foi a condução compartilhada de adversários partidários e ideológicos, como o governador Eduardo Riedel (PP), líder bolsonarista e de direita, o deputado federal Vander Loubet (PT), lulista e de esquerda, e a senadora Soraya Thronicke (PSB), de centro.
Na terça-feira, 14, Lula assinou na presença de Riedel e Loubet o contrato de empréstimo junto ao Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), conhecido como Banco Mundial. Os recursos serão destinados ao Programa "Rodar MS", de investimentos rodoviários. A busca por este financiamento começou em outubro de 2024, quando a Assembleia Legislativa aprovou pedido de Riedel para autorizar o Estado a realizar a operação.

Diante das naturais dificuldades com as exigências do governo Lula para lastrear com a máxima segurança esse tipo de operação, Loubet entrou em cena dando prioridade absoluta à causa sul-mato-grossense e disse a Riedel que o ajudaria a viabilizar o projeto. " Atuei para garantir o investimento. As obras são cruciais para o escoamento da produção, a segurança no tráfego e o crescimento da economia”, justificou.
TRÂMITE ACELERADO
No final da tarde, Soraya acompanhou Riedel ao Plenário do Senado, onde conversaram com David Alcolumbre, o presidente da Casa, e outros parlamentares. Nelsinho Trad (PSD) e Tereza Cristina (PP), os outros dois parlamentares sul-mato-grossenses, saudaram o governador. Eles garantiram colaborar no esforço prometido por Alcolumbre a Riedel para iniciar já na quarta-feira, 15, a tramitação do pedido de empréstimo.
"Estou otimista. Falei com vários colegas defendendo a dimensão do transporte e da logística para o desenvolvimento social e econômico do Estado. Todos me afiançaram que vão participar deste mutirão, e isto é o reflexo de um entendimento republicano, responsável, de grandeza tão elevada e necessária para a política", alegrou-se Soraya.
Ela explicou que só a assinatura presidencial não é suficiente para concretizar a operação junto ao Bird. O artigo 52 da Constituição, em seu inciso V, define que cabe ao Senado autorizar as operações externas de natureza financeira de interesse da União, estados, Distrito Federal e dos municípios. O processo envolve a aprovação da Assembleia Legislativa estadual, parecer favorável do Tesouro Nacional e, por fim, a Resolução do Senado Federal autorizando a operação, que segue para promulgação.











