05 de dezembro de 2020
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CAMPO GRANDE

Vereadores mantém aumento dos próprios salários para R$ 18,8 mil

Parlamentares justificam que já "ajudam com doações", o que consome, segundo eles: 'metade dos seus salários'

Vereadores de Campo Grande descartaram reduzir os próprios salários, e na verdade, querem aumento em 26,3%, mesmo durante a pandemia, provocada pela Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Com o chamado reajuste, o subsídio dos parlamentares saltará de R$ 15.031 para R$ 18.891 em fevereiro de 2021. A confirmação de que o reajuste será mantido foi anunciado nessa 4ªfeira (15.abril), durante  live da Comissão Especial em apoio ao Combate ao Covid-19, criada em 24 de março, na Câmara Municipal. Participaram da live o vereador Dr. Lívio, presidente da Comissão Especial e também da Comissão de Saúde da Casa de Leis, e o vereador Eduardo Romero, que integra a Comissão Especial e é presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Casa de Leis.

A Câmara Municipal aprovou esse reajuste em 2018, medida adotada para evitar que a pauta caísse em discussão no ano eleitoral, para não pegar mal à ninguém. No entanto, acaba que pandemia reduziu drasticamente as arrecadações municipais. Para evitar dispensas e também não atrasar pagamentos, o chefe do Executivo Municipal, Marquinhos Trad (PSD), decidiu reduzir o seu salário, o da vice-prefeita, Adriane Lopes e dos secretários e comissionados em 30%, medida que deve economizar recursos durante a pandemia, vale por três meses. No entanto, os vereadores não seguiram o exemplo.

O vereador Eduardo Romero (Rede), descartou seguir o exemplo do prefeito, na 4ªfeira (15.abril), em live de trabalhos na Câmara Municipal. Romero disse que os vereadores só podem mexer no salário para a próxima legislatura.

Já para o prefeito, não foi aprovado o reajuste para uma próxima gestão, caso ele seja reeleito. A proposta visava reajustas os pagos ao gestor, na cifra de 4,17%, mas a Justiça acabou suspendendo em janeiro desse ano. 

Os vereadores alçaram a tentativa de justificativa. Romero alegou que os parlamentares estão ajudando a população com “doações de alimentos e comprando medicamentos”. Eduardo Romero reforçou que essas ações não tem publicidade e deve representar até mais de 30% nos salários dos vereadores. 

O Vereador Chiquinho Telles (PSD), líder do prefeito na Câmara, também argumentou que ajuda “diversas famílias, com alimentos e outros atendimentos”. O parlamentar alertou sobre o uso da situação para promoção política, mas defendeu o reajuste para ele e os colegas, por suas ‘boas ações’.

Telles disse que gasta mais da “metade”, do seu salário ajudando famílias na região do bairro Moreninhas, em Campo Grande. As falas do parlamentar foram feitas em entrevista ao site Midiamax.    

VEJA A LIVE DOS VEREADORES 

Em live, vereador destaca devolução de R$ 7 milhões em 2019 e ações sem publicidade por parte dos parlamentares

O vereador Junior Longo (PSDB) citou a criação do fundo para receber recursos contra o coronavírus e a comissão para arrecadar cesta básica. “Já dou boa parte do meu salário e não fico divulgando, porém tem gente que quer fazer politicagem com o tema”, lamentou o tucano.

Os vereadores vão ser obrigados a mostrar, de fato, sensibilidade com a crise econômica enfrentada por Campo Grande. Para desgosto de alguns colegas, Vinicius Siqueira (PSL) apresentou projeto para reduzir em 30% os salários dos 29 vereadores de Campo Grande. Com a proposta, o valor poderá cair de R$ 15.031 para R$ 10.521,70.

Vereadores do interior já ouviram a indignação popular e se mostraram “sensíveis” com a pandemia, que já atingiu 2,1 milhões de pessoas no mundo. Houve recuo no reajuste nos salários dos legislativos de Jardim, Amambai e São Gabriel do Oeste.

Agora é a vez dos vereadores de Campo Grande, que aprovaram o reajuste de 26,3% em dezembro de 2018, a desistir do reajuste fora.

Um dos argumentos usados pela Câmara para não discutir a redução de salário é que devolveu R$ 7 milhões do duodécimo para a Prefeitura de Campo Grande em 2019. Este é o problema, com o colapso da economia e a falta de dinheiro para enfrentar a pandemia, a população não poderá esperar até o fim do ano para receber os restos do duodécimo.

A Câmara conseguiu intermediar algumas ações. Dr. Lívio (PSDB) obteve a doação pela Receita Federal do Brasil de 170 telefones celulares para a Secretaria Municipal de Saúde. Betinho (Republicanos) conseguiu fones de ouvido para ampliar o atendimento no tele atendimento do Disque Coronavírus.

Fonte: O Jacaré.