Uma investigação da Polícia Federal sobre o caso conhecido como "máfia das creches" trouxe novas controvérsias à tona, com alegações de que o atual prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), recebeu repasses de verbas desviadas destinadas a unidades de ensino infantil. As afirmações surgem de um vídeo gravado por Rosângela Crepaldi, envolvida na operação, que afirma ter repassado valores desviados a pessoas ligadas a Nunes.
No vídeo obtido pela reportagem da Folha de S. Paulo (veja abaixo), Rosângela, alvo de uma operação que investiga a conexão entre um escritório de contabilidade e empresas envolvidas nos supostos desvios, afirma que Nunes, quando ainda era vereador, recebeu pagamentos de uma suspeita chamada Francisca Jacqueline Oliveira Braz. Segundo a gravação, esses valores foram supostamente destinados a ONGs responsáveis por creches municipais. Eis o vídeo:
A assessoria de Nunes refutou as acusações, afirmando que o vídeo foi divulgado a dois meses das eleições e que nunca houve qualquer acusação formal contra o prefeito no inquérito. O prefeito também alegou que a divulgação do vídeo é uma tentativa de difamação e que sua defesa avaliará as declarações de Rosângela para buscar responsabilização por denunciação caluniosa.
A defesa de Rosângela afirmou que o vídeo foi criado por motivos de segurança e não deveria ter sido torndo público. Eles alegam que o material foi destinado exclusivamente a pessoas de confiança.
A investigação também envolve a Acria, uma entidade que administra creches conveniadas à prefeitura e com a qual Nunes possui conexões. Rosângela afirmou que a Acria estava sob a administração de pessoas ligadas a Nunes e que o esquema envolvia repasses substanciais para entidades ligadas ao esquema.
Documentos da Justiça Federal revelam que a empresa Francisca Jacqueline Oliveira Braz teria repassado R$ 2,5 milhões à Acria, com R$ 1,3 milhão retornando à empresa, o que é parte das investigações.
A assessoria do prefeito insistiu, porém, que não há nenhuma acusação direta contra Nunes ou sua empresa, Nikkey Serviços S/S Ltda, e que as alegações são infundadas.
Até o momento, nem a Acria nem os envolvidos diretamente mencionados nos vídeos comentaram publicamente sobre as acusações. A investigação continua em andamento, e novas informações podem surgir conforme o caso se desenrola.
FONTE: FOLHA DE S. PAULO.