19 de maio de 2024
Campo Grande 18ºC

MEIO AMBIENTE

'5 Pointers Inglês' levam polícia à caçador que matou onças-pintadas e filmou cabeças decepadas

Homem vinha lucrando com a extinção da espécie pantaneira

A- A+

João Deus da Silva foi preso na noite da 6ª.feira (31.mar.23), na BR-174, em Cáceres (MT). Ele confessou ser o caçador que matou duas onças-pintadas, decepou as cabeças dos animais e fez um vídeo arremessando os membros contra um filhote da espécie felina, amarrada e ameaçado por cachorros Pointer inglês.

A gravação cruel gerou revolta nas redes e mobilizou ativistas da causa animal como Luisa Mell. Com isso, a polícia mato-grossense abriu uma investigação para rastrear o autor das filmagens.

Conforme apurado, a prisão foi feita por policiais do Grupo Especial de Fronteira (Gefron).

João confessou ser caçador e que recebeu R$ 5 mil por cada onça morta. Lucrando com a extinção da espécie pantaneira, o criminoso adquiriu ao menos cinco cachorros Pointers que, inclusive, aparecem no vídeo. João, pagou R$ 3 mil em cada cachorro e contratou um serviço de frete para levar os animais de Várzea Grande até Cáceres. Assim, ele caiu no radar da polícia.

Os Pointers são uma raça britânica de cão reconhecida mundialmente pela característica de encontrar a caça e apontá-la para o caçador. Desenvolvido e aprimorado para a caça de aves, sua popularidade é enorme nos países onde a caça não é proibida.

A caça de onças-pintadas, assim como de outros animais silvestres, entretanto, é proibida no Brasil. A única exceção é a caça do javali, que segue regulamentação específica. A punição para quem comete esse crime está prevista na Lei de Crimes Ambientais, com detenção de seis meses a um ano. No entanto, é comum que a pena seja convertida em multa.

RASTREIO DO SUSPEITO

A esposa de João, Maria Bispo de Guimarães, contratou um frete por R$ 600 para transportar os cachorros na carroceria de uma caminhonete Ford Ranger até às fazendas Bahia de Pedra I e II, em Cáceres. Os animais deveriam ser entregues a Laudelino Luís Neto, que ficaria responsável por ‘cuidar dos cachorros valiosos’. Para monitorar os animais valiosos, João foi no banco do passageiro.

Sabendo disso, a inteligência da Polícia Civil abordou a Ranger quando passava por um trecho da BR-174. Os policiais já identificaram de imediato os animais com diversos machucados amarrados na carroceria. João desembarcou do banco do passageiro e, confrontado pela polícia, confessou ser o caçador de onças.

Diante disso, ele e o motorista do veículo foram encaminhados à delegacia e presos.

O delegado de Cáceres, Marlon Richer Nogueira, solicitou a prisão preventiva de João no sábado (1º.abril). O requerimento está sendo analisado pelo Ministério Público Estadual.

Os cachorros ficaram com a responsabilidade da polícia. O caso segue sob investigação na Delegacia Especializada de Meio Ambiente (Dema).

OS CRIMES

João deve responder por crime de maus-tratos aos cachorros e pegar de dois a cinco anos de prisão. Além de pagar multa de R$ 500 por cachorro maltratado. No entanto, a legislação brasileira estabelece que matar animais ameaçados de extinção é mais branda do que com animais domésticos.
 
Neste caso, João de Deus poderá responder em liberdade por matar as onças, já que não houve flagrante. A pena é de até 1 ano e meio de detenção. Por confessar que foi contratado para caçar profissionalmente as onças, a penalidade triplica. Desta forma, o criminoso pode ser preso  de 1 ano e meio a cinco anos, além de pagar R$ 5 mil por onça morta.