A família de Elio Moreira Junior, o Elinho Júnior (PP), em Corumbá (MS), assim como ele, tem sinalizado que carrega no cerne a violência e também o preconceito, isso porque, agora, um tio de Elinho, conhecido como Elson Moreira, é acusado pela liderança negra Ednir de Paulo de ter cometido racismo contra ela.
Em um boletim de ocorrência a que a reportagem teve acesso, Ednir relatou que, na manhã de 6 de janeiro de 2026, chegou à Lanchonete Sabor de Fruta Sucos Naturais (à Rua Frei Mariano, no Centro da Cidade Branca), realizou seu pedido e efetuou o pagamento antecipado. A lanchonete tem nome empresarial de Elson Moreira e nome fantasia Sabor de Fruta Sucos, sob o CNPJ 97.423.040/0001-88. Eis o Cartão CNPJ.
Ela disse que, após sentar-se para aguardar, percebeu que pessoas que chegaram depois dela estavam sendo atendidas primeiro, enquanto ela aguardava.
Com pressa devido a um compromisso, ela disse que se dirigiu ao caixa para pedir informações. A atendente agiu como se tivesse perdido o pedido dela. Diante disso, Ednir solicitou a devolução do dinheiro.
Neste momento, o proprietário, Elson Moreira, interveio. Ednir disse que, na frente de funcionários e clientes, ele afirmou que ela não deveria mais frequentar o local, acusando-a de ser “causadora de confusões”.
Elson teria dito em tom alto: “Você não entra mais aqui na minha lanchonete, porque você gosta de causar confusão! E não pensa que é preconceito, não, pois está sendo tudo gravado!”.
Após o episódio, Ednir foi até uma delegacia e registrou o b.o. como “Difamação” (Art. 139 do CP) e “Preconceito de Raça ou Cor” (Art. 3º, parágrafo único, da Lei nº 7.716/89).
Ela, que é presidente do Instituto da Mulher Negra do Pantanal (IMNEGRA), disse à reportagem do MS Notícias que sentiu que a ação foi preconceituosa.
“Um constrangimento, diante de várias pessoas — acusação sem prova alguma — pediu para eu me retirar da lanchonete. Paguei adiantado e ignoraram meu pedido. Como mulher negra e presidente, fundadora da ONG IMNEGRA, senti o tratamento de maneira preconceituosa”, explicou.
Ednir era a única mulher negra cliente no local no momento da expulsão. O Instituto da Mulher Negra do Pantanal emitiu Nota de Repúdio, classificando a conduta do empresário como uma violência simbólica inaceitável. Leia abaixo:
'SUCOS AGRESSIVOS, BOLSONARISTAS E PRECONCEITUOSOS'
Vamos lembrar que, há poucos dias da virada do ano, de 2025 para 2026, em 27 de dezembro, o salgadeiro José Elizeu Lara Navarro, de 41 anos, foi alvo de agressões por parte do vereador Elinho.
O político bolsonarista de extrema direita desferiu xingamentos, chutes e danificou uma bicicleta do salgadeiro devido a ele estar parado frente a Verde Frutti, E. M. Junior & Cia LTDA (25.165.541/0001-09), localizado na rua Delamare, nº 1164. O comércio pertence ao vereador e sua esposa Glauce Letícia de Freitas Silva Moreira.
A Polícia Civil, inclusive, concluiu o inquérito que apurou a conduta do vereador e apontou a prática de três crimes: injúria, ameaça e dano.
Com o encerramento do inquérito, cabe agora ao Ministério Público analisar o material e decidir sobre eventual oferecimento de denúncia, enquanto o Judiciário será responsável pela condução do processo.
O grupo político da família de Elinho, que tem uma rede de lanchonetes, inclui a senadora Tereza Cristina (PP) e o deputado federal Beto Pereira (PSDB-MS).
OUTRO LADO
Confrontado por veículos de comunicação, Elson apelou para a justificativa de “lotação”, alegando surpresa diante da gravidade da denúncia criminal.
Ignorando a percepção da vítima sobre o viés racial, Elson insistiu na normalidade em seus 30 anos de operação.
O MS Notícias não conseguiu localizar Elson para que ele desse a sua versão dos fatos ao jornal. O espaço segue aberto para eventuais posicionamentos futuros.











