28 de fevereiro de 2024
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OPERAÇÃO DAKOVO

Polícia Federal do Brasil prende ex-Comandante da Força Aérea do Paraguai

Acusado de tráfico internacional de armas

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Polícia Federal do Brasil prendeu, na 3ª feira (5.dez.23), o General do Ar Arturo Javier González Ocampo, que Comandou a Força Aérea Paraguaia (FAP) até o dia 21 de novembro de 2021. Ele foi preso em sua casa, em Assunção, no Paraguai, onde os agentes encontraram armas e grande quantidade de dinheiro.

Armas apreendidas durante a operação Dakovo, da Polícia Federal e da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, em 5 de dezembro de 2023. Foto: Senad ParaguaiArmas apreendidas durante a operação Dakovo, da Polícia Federal e da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, em 5 de dezembro de 2023. Foto: Senad Paraguai

Ocampo foi dos alvos da Operação Dakovo, que visa o combate ao tráfico internacional de armas. A operação tem como principal alvo Diego Hernan Dirísio, um argentino que vive no Paraguai, considerado o  maior contrabandista de armas da América do Sul

Operação Dakovo, cumpriu 25 mandados contra um grupo suspeito de negociar cerca de 43 mil armas com os chefes das maiores facções criminosas do Brasil em três anos. Estima-se que, nesse período, o grupo tenha movimentado cerca de R$ 1,2 bilhão.

A empresa International Auto Supply (IAS), sediada em Assunção, no Paraguai, era responsável pelo complexo esquema de tráfico internacional de armas da Europa para a América do Sul, que contava com o envolvimento do General Ocampo, bem como do General Jorge Antonio Orue Roa, do Coronel Bienvenido Fretes, da Capitã Josefina Cuevas Galeano e da Tenente Cinthia Maria Turro Braga, todos do Exército Paraguaio. Esse grupo facilitava a entrada de carregamentos de armas ilícitas no país.

Arturo Javier González Ocampo (à direita), ex-comandante da Força Aérea do Paraguai, durante homenagem concedida pela Força Aérea Brasileira (FAB) na comemoração de 41 anos da Missão Técnica Aeronáutica Brasileira (MTAB)  Foto / Divulgação / Força Aérea Arturo Javier González Ocampo (à direita), ex-comandante da Força Aérea do Paraguai, durante homenagem concedida pela Força Aérea Brasileira (FAB) na comemoração de 41 anos da Missão Técnica Aeronáutica Brasileira (MTAB). Foto: Divulgação | Força Aérea 

A PF informou que a IAS importou milhares de pistolas, fuzis e munições de fabricantes da Croácia, Turquia, República Tcheca e Eslovênia. Após chegarem no Paraguai, as armas eram revendidas a grupos de intermediários que atuavam na fronteira entre Ciudad del Este e Foz do Iguaçu (PR), onde eram negociadas de maneira ilícita para o Brasil.

A Operação Dakovo foi realizada pela Polícia Federal em parceria com o Ministério Público Federal e com a cooperação internacional da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (SENAD/PY) com o Ministério Público do Paraguai. A ação contou ainda com a Força-Tarefa Internacional de Combate ao Tráfico de Armas e Munições (FICTA), composta pela HSI (Homeland Security Investigations), SENASP (Secretaria Nacional de Segurança Pública), sob supervisão do Serviço de Repressão ao Tráfico de Armas da PF.

O processo está em andamento na 2º Vara Federal de Salvador (BA), que expediu 25 mandados de prisão preventiva, seis ordens de prisão temporária e 54 mandados de busca e apreensão em três países: Brasil, Paraguai e Estados Unidos.