17 de junho de 2021
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Celebridades ou quase lá: aumenta o elenco guaicuru nos circuitos da fama

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Victor Henrique Woitschach, o Ique, um dos cartunistas mais respeitados no Brasil e no exterior, produtor visual e roteirista na Rede Globo, nasceu em Campo Grande. Tatiany Furuse, atriz, produtora e garota-propaganda com escalas em novelas da Globo, teatro e cinema, nasceu no Paraná, mas morou em três cidades de Mato Grosso do Sul. Carlos Henrique Duarte, emergindo com grande impulso no panorama da produção visual e integrando o corpo editorial da revista Caras, também habitou na Cidade Morena, onde nasceu e começou sua vitoriosa trajetória.

Estas três pessoas, em diferentes níveis de projeção nacional e internacional, foram entrevistadas nos últimos meses pelo MSNotícias dentro de uma proposta editorial do site: divulgar e acrescentar a visibilidade de gente que, nascida ou tendo morado em Mato Grosso do Sul, alcança porções diferentes de fama e é reconhecida por seus protagonismos, basicamente nas artes, e não-necessariamente sob intenso fulgor midiático. Há os que são manchetes e há os quase anônimos diante do público local.

O jornalista Edson Moraes, um dos profissionais do MSNotícias ocupados em garimpar nomes para essa pauta, está fazendo contatos e organizando um acervo de ilustres protagonistas guaicurus esparramados com seus feito e efeitos por diversas partes do planeta, das galerias de arte parisienses à orla litorânea do Rio de Janeiro; do sofisticado pedaço urbano dos Jardins, em Sampa, ao glamuroso mapa dos festivais europeus de cinema. Um a um contarão sua saga ao site, alguns já com as entrevistas agendadas.

ROTINA EXIGENTE - O giro para atingir, potencializar ou manter seu espaço na ciranda do Olimpo profissional é ininterrrupto, estressante e exigente. Mas compensa na infinita porção de amor pelo que fazem e no prazer de acumular conhecimentos, bem mais gratificante que o fato de conviver com astros, estrelas e celebridades de primeira grandeza. Ique, por exemplo, concilia, sabe-se lá como, as demandas de editor gráfico, roteirista e produtor de textos do “Zorra Total”; escritor, autor, esportista, pesquisador, escultor e empreendedor na área de soluções visuais. Está, entre outros compromissos, com a tarefa de moldar em bronze uma estátua do imortal Pixinguinha – mais uma de suas artes para o cenário carioca, onde já plantou esculturas de Michael Jackson e Martinho da Vila, entre outras.

Tatiany Furuse é um azougue. Depois das sessões de estréia de “Sobá, Trilhos e Silêncio” no ano pasado, seu primeiro longa-metragem como produtora e atriz, prepara o filme para novas incursões em salas do Brasil e do exterior. Isso, no intervalo das gravações de vídeos institucionais de empresas como a Petrobras e a Losango (entram no ar em abril) e das exibições da peça “O Pequeno Príncipe”, de Saint-Exupéry, que adaptou para os palcos e está sendo encenada no concorrido Teatro Vanucci do Shopping Gávea.

NOS DEGRAUS - Já pisaram, estão pisando ou vão pisar degraus das escadas do reconhecimento da mídia mais de 100 conterrâneos sulmatogrossenses de nascimento ou por adoção. São nomes na música, nas artes plásticas, no futebol, na moda, no teatro, no cinema, na TV, na criação de estilos visuais, no design de ambientes, na arquitetura e paisagismo, no jornalismo, na literatura e na fotografia, entre outras atividades. Na América do Sul, na Europa, nos Estados Unidos, na Ásia, no Oriente Médio e até nos confins de ilhas do Pacífico é possível encontrar alguém da capital ou do interior do Estado destacando-se por seu trabalho.

Num caminho que foi aberto por pioneiros de séculos passados, a planície de celebridades locais tem representantes consagrados há mais tempo, como os veteranos Davi Cardoso, cineasta maracajuense recordista mundial de filmes; a eterna top-model itaporanense Luiza Brunet; os atores e autores de cinema e teatro Rubens Corrêa (de Aquidauana), Ney Mato Grosso (de Bela Vista), Aracy Balabanian e Glauce Rocha (de Campo Grande); o arquiteto Luiz Pedro Scalise; o ator Nando Rodrigues, o campograndense do momento nas novelas de TV; os músicos de Maracaju Délio & Delinha (ele já falecido) e outro campograndense, Almir Satter. E quem quiser pode incluir, é óbvio, os expoentes do mais recente filão musical carimbado por diferentes rótulos agregados ao sertanejo, como o paranaense Michel Teló (revelado em Campo Grande) e o jaraguariense Luan Santana.

Anda pontificam nas safras de revelações e de nomes contemporâneos já consagrados ou a caminho, o artista plástico corumbaense Edson Castro, atualmente com uma exposição na charmosa Yohann Gallery, de Paris; a escritora, pesquisadora e autora Mazé Torquato Chotil, de Glória de Dourados, habitando também solo parisiense, na vizinhança da brasilandense Alzira Bittencourt Maia (que mora em Lyon e é irmã do ex-deputado, já falecido, Júlio Maia); das ativistas culturais douradenses Ana Mírian Cavalheiro (fixada em Hamburgo, na Alemanha) e Ana Carolina Rohastch, domiciliada em Viena, capital da Áustria.

Não pode faltar nessa lista o sortido time estelar de cineastas de diferentes gerações, como o experiente e premiadíssimo Joel Pizzini, um carioca criado em Dourados; o guialopense Dannon Lacerda e o campograndense Filipi Silveira. No jornalismo ou em talk-shows da TV mais figurões, como os campograndenses Reginaldo Leme, famoso pelas reportagens da Fórmula 1, e Sidney Resende, ambos da Rede Globo, e a douradense Daniela Albuquerque, apresentadora e também esposa de um dos donos da Rede TV!

ESPORTES - No esporte, sobram nomes laureados, como o do maratonista jardinense Elenílson da Silva, que em 25 anos da carreira ganhou 300 medalhas e 200 troféus, os mais importantes nos Jogos Panamericanos de 1999 em Winnipeg, no Canadá, quando conquistou o ouro nos 10 mil metros e a prata nos 5 mil metros. Mas incluam-se aí, entre tantos, o atacante campograndense Muller, que foi bicampeão mundial de clubes (pelo São Paulo, em 1992-93) e campeão de seleções, na Copa dos EUA, em 1994; o volante douradense Lucas Leiva, do Liverpool; a murtinhense Natasha já chegou à seleção de vôlei de quadra; no vôlei de areia, outro nascido em Porto Murtinho, Benjamim, já fez muito sucesso, não mais que a aquidauanense Talita, considerada hoje a melhor do Brasil e uma das cinco melhores do mundo.

No basquete, a treslagoense Ruth foi campeã mundial de seleções e várias vezes panamericana. Também de Três Lagoas são Zequinha Barbosa, com uma coleção de títulos internacionais, um deles o ouro dos 800 metros no Pan-Americano de Mar del Plata em 1995, e Gustavo Mendonça, campeão de arremesso de peso em torneios no Brasil e no exterior.

Também são de Campo Grande a brava Chris Regiane, colecionadora de títulos das mais expressivas competições internacionais de luta de braço, e o judoca Rafael Silva, um dos melhores do mundo em sua categoria. De São Gabriel d'Oeste, Luan Pedroso arrebatou o título júnior de muay-thai no Campeonato Mundial 2015. Roberto Cyborg Abreu, que nasceu na capital sulmatogrossense, ganhou tanto prestígio após sagrar-se campeão mundial de jiu-jitsu em Pequim que foi para os Estados Unidos ensinar sua técnica e formar novos campeões.

O jiu-jitsu também realçou a capacidade das mulheres do Estado nesse tipo de tablado. É o caso da corumbaense Ariadne Oliveira, que ocupou os primeiros lugares do pódium nos torneios que dsputou de 2011 a 2014, como o título mundial de Abu Dahbi, nos Emirados Árabes, em 2013. 

E ainda sobram nadadores, judocas e dezenas de outros vencedores que não estão citados nessa longa e agradável lista que fornece ao povo de Mato Grosso do Sul um generoso estoque de boas pautas e notícias positivas para contrabalançar os dias de inquietude e incertezas. Mas o esforço desta série de reportagens é para que todos sejam lembrados e tenham mais um espaço de justo reconhecimento ao que fazem para projetar positivamente o nome de Mato Grosso do Sul dentro e fora do país.