17 de janeiro de 2021
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Profissão: Palhaço - Missão: Tirar um sorriso até dos mais ranzinzas

Rir é o melhor remédio, ainda mais em meio ao rufar dos tambores e a magia do circo, que faz adultos se tornarem crianças e crianças ficarem hipnotizadas e encantadas com os truques, palhaçadas e malabares.

Ter como profissão provocar o riso nas pessoas muitas vezes não é fácil, por isso o palhaço tem que rebolar, pular e - como o próprio nome diz – fazer muitas palhaçadas para tirar um sorriso de alguns ranzinzas.

Chuvisco, também conhecido como Nilton Gatica, 26 anos, é palhaço desde os cinco anos. Filho de artistas de circo, desde pequeno foi influenciado a fazer palhaçadas e trapézios no picadeiro.

“Minha mãe fazia circo teatro - acho que vem daí também a vontade de ser palhaço, a parte de interpretar -, já meu pai era de circo tradicional com trapezistas, acrobacia, palhaço, mas ser palhaço era mais o robby dele, era o que ele fazia de melhor, era o que ele gostava de fazer, eu herdei o que ele mais gostava de fazer”, contou Chuvisco.

Aos 15 anos, Nilton decidiu de fato dedicar-se a profissão, mesmo sabendo da parte difícil do ‘ser palhaço’.

“Às vezes eu tenho que fazer palhaçada mesmo sem querer, às vezes estou triste, mas não posso demonstrar. Há quatro meses perdi meu pai e cinco dias depois tive que estar lá trabalhando. Da profissão do palhaço o chato é isso: faça chuva ou faça sol, triste ou alegre, você tem que fazer o pessoal rir. Você tem que ser profissional e a gente tenta fazer o máximo possível. O pessoal nem percebe, mas a gente pode estar triste, magoado e tá lá, tá fazendo”.

Mas a tal “Magia do Circo” é tão verdadeira que, quando entra no picadeiro esquece-se do “Nilton”, a partir daí quem vive é o “Chuvisco”.

“Quando eu interpreto o personagem, eu sou o personagem. A gente vive o momento que está fazendo, se eu sou o palhaço, tenho que primeiro acreditar que sou para transmitir isso para o pessoal”.

o que mais incomoda é não conseguir fazer alguém rir, pois “o ápice do palhaço é a risada” e o aplauso, a sensação de dever cumprido.

Afinal, o circo ainda leva a diversão pura, que tem sido esquecida ou trocada por jogos eletrônicos ou passeios a centros de compras. “Meu pai disse que antigamente o artista de circo era como um artista de televisão. Quando chegavam à cidade as pessoas queriam tirar foto, abraçar, pegar autógrafo. Hoje em dia para vir ao circo o povo tem que ter muita vontade, porque não é como o shopping que tem vários atrativos, como lojas, cinema”, constatou o palhaço.

A vida circense proporcionou a Nilton conhecer todo o Brasil e a América Latina. Ele lembra que as diferenças dentro do país são tantas que em algumas ocasiões o público não entende a piada. Mas para isso não acontecer ensaia de 2 a 3 horas por dia e adapta o repertório a região. “Tem que ter disciplina, porque não adianta chegar lá e fazer de qualquer jeito, é preciso fazer bem feito para as pessoas gostarem. É necessário ter dedicação, pois se dedicando no que faz, faz bem feito”.

Levar alegria e felicidade, mesmo nem sempre estar sentido isto, é uma missão para quem ama o que faz. “Circo representa amor para mim, porque o que a gente faz é com amor, é incondicional o amor que eu sinto pelo circo! Toda vez que eu faço alguém rir parece que eu estou querendo mudar o mundo!”, finaliza Chuvisco.

Internacional Circo Kroner

O circo tem 26 anos de ‘estrada’, já percorreu toda a América do Sul e conta com uma equipe de 186 pessoas.

Fica até domingo em Dourados com sessões diariamente às 20h30 e aos sábados e domingos às 18h e 20h30 – ao lado do Douradão. Acompanhadas de um adulto pagante, crianças de até 12 anos não pagam.

Dourados News