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tera, 02 de junho de 2020

DESIGUALDADE

Brasil: metade da população vive na miséria e cresce o número de milionários

20,95 milhões de brasileiros recebe pouco mais de R$ 100 por mês, enquanto 259 mil famílias tem mais de 50 milhões de dólares

Por: REDAÇÃO06/05/2020 às 12:26
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Foto: Reprodução/El País

Metade da popuação brasileira, cerca de 105 milhões, sobrevive com R$ 15 por dia, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados são referentes à renda média real domiciliar per capita de 2019, apurada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Rendimento de todas as fontes 2019.

Desses, cerca de 20,95 milhões recebe pouco mais de R$ 100 por mês, o que seria R$ 3,73 por dia. Na contramão, cresceu o número de milionários no país nesse mesmo período.  

O número de milionários saltou de 217 mil adultos em 2018 para 259 mil em 2019.  Foi uma das maiores altas do mundo, perdendo apenas para Holanda, Alemanha, China, Japão e Estados Unidos  A previsão é que o número de milionários no Brasil deve crescer 23% até 2024, chegando ao total de 319 mil adultos.

O Brasil também foi um dos países do mundo onde mais cresceu o grupo de milionários “ultra-high”, aqueles com riqueza acima de US$ 50 milhões.

A tendência vai na contramão mundial. A parcela de riqueza mundial concentrada no 1% no topo da pirâmide subiu entre 2007 e 2016 em todos os países selecionados, com exceção da Índia, mas depois disso começou a cair em todos os países – com exceção do Brasil.

A estimativa do banco banco Credit Suisse é que o 1% mais rico da população brasileira detém 49% de toda a riqueza familiar do país. Enquanto isso, 70% dos brasileiros tem riqueza inferior a US$ 10.000, proporção acima da observada no resto do mundo (58%).

Por outro lado, no extrato mais rico, apenas 1% dos brasileiros mais abastados vivia com R$ 17.373 mensais, o que significou um aumento de renda de 2,7% para essa população que somava pouco mais de dois milhões de pessoas.

O número de miseráveis vem crescendo desde 2015, invertendo a curva descendente da miséria dos anos anteriores. De 2014 para cá 4,5 milhões de pessoas caíram para a extrema pobreza, passando a viver em condições miseráveis. O contingente é recorde em sete anos da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A miséria atinge principalmente estados do Norte e Nordeste do Brasil, em especial a população preta e parda, sem instrução ou com formação fundamental incompleta.

De 2017 para 2018 foram 200.000 pessoas a mais que assumiram o status de miseráveis. Um ano antes, porém, de 2016 para 2017, a alta havia sido de 1.339 milhão. Nesse período, o Brasil ajudou a inflar os dados de extrema pobreza em todo o continente, como mostrou um estudo da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL, um órgão da ONU). 

Apesar da disparidade de renda e concentração de riqueza ainda aguda, houve ligeira redução na desigualdade no País.

O Índice de Gini - indicador que mede a desigualdade numa escala de 0 a 1, sendo maior a concentração de renda quanto mais próximo de 1 for o resultado - saiu de 0,545 para 0,543 pontos na passagem de 2018 para 2019. Embora o extrato mais rico tenha registrado um ganho de renda três vezes maior que o do extrato mais pobre, houve melhora nos extratos medianos da população, justificou o IBGE.

"Acho que está relativamente estável, acompanhando a tendência do mercado de trabalho. Tem um pouco de ganho dos mais pobres, e um pouco de ganho dos rendimentos mais altos", opinou Alessandra Scalioni Brito, analista do IBGE.

O rendimento médio mensal real domiciliar per capita foi de R$ 1.406 na média do País, descendo abaixo do salário mínimo no Norte (R$ 872) e Nordeste (R$ 884), mas alcançando o dobro desse valor no Sudeste, R$ 1.720.

A massa de renda domiciliar obtida de todas as fontes totalizou R$ 294,396 bilhões em 2019, também distribuída de forma desigual. A parcela dos 10% dos brasileiros os menores rendimentos detinha 0,8% dessa riqueza, enquanto os 10% mais ricos concentravam 42,9% dela.

"Há uma concentração muito grande, com 10% dos domicílios mais ricos pegando quase metade da renda do País", observou Alessandra.

*Com informações do Exame, Estadão Conteúdo e El País.  

 

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