30 de outubro de 2020
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PIB no trimestre perde para países em crise; em um ano, bate EUA e México

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Depois de registrar um crescimento surpreendente no segundo trimestre, a economia brasileira teve, de julho a setembro, um desempenho pior do que o de diversos países que estão mergulhados em crise desde 2009, como Portugal, Espanha, Itália e França.

O PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil no terceiro trimestre foi 0,5% menor do que no segundo, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na comparação com o terceiro trimestre do ano passado, a economia brasileira aumentou 2,2%, superando o desempenho de importantes países ricos e emergentes, como os Estados Unidos e o México, mas mantendo-se abaixo das nações asiáticas de crescimento rápido, como a China e a Coreia do Sul.

Os dados citados se referem à variação percentual do PIB. Se considerássemos a variação em dinheiro, seja na moeda local ou em dólares, o ranking seria bem diferente. Para os EUA, que têm uma economia de US$ 15 trilhões anuais, uma pequena variação no PIB já significaria muitos bilhões de dólares, o que o tornaria incomparável com a maioria dos países.

Opinião

Os números mostram que a economia brasileira não conseguiu manter o mesmo ritmo de produção verificado no segundo trimestre, mas a piora não foi tanta a ponto de voltarmos ao fraco ritmo verificado no ao passado.

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A queda de 0,5% do PIB em relação ao segundo trimestre confirma que a forte produção no período de abril a junho foi um caso pontual, motivado por uma safra recorde.

No terceiro trimestre, a leve recuperação da indústria e dos serviços (0,1% de crescimento em cada) não compensou a forte queda da agropecuária (-3,5%).

Não há sinais, entre os números mais recentes, de que no último trimestre do ano recuperaremos o ritmo de alta do segundo trimestre. Aquele período foi, muito provavelmente, o melhor de 2013. (Curiosamente, foi logo naquela época que as manifestações se espalharam pelas ruas do país.)

A retomada econômica, do Brasil, portanto, perdeu ritmo. O encolhimento do PIB do segundo para o terceiro trimestre nos coloca no mesmo patamar de países que já têm uma renda per capita alta e uma rede de proteção social muito melhor do que a nossa, como a França e a Itália. Que esses países, já ricos e atolados em dívidas, não cresçam, é de se esperar. No caso do Brasil, uma nação ainda chamada de “emergente'', deveria estar avançado a um ritmo maior, a exemplo dos latino-americanos Peru e Chile, ou dos asiáticos Coreia do Sul e Indonésia.

Não podemos nos esquecer de que ainda estamos crescendo mais do que o México, a segunda maior economia da América Latina e um concorrente direto do Brasil na busca por capital estrangeiro. Mesmo assim, há sinais de que temos espaço para melhorar. O diagnóstico econômico está dado: o país precisa recuperar a confiança do mercado internacional, respeitando, sem subterfúgios, as metas de inflação e de superávit primário (dinheiro que o país reserva para pagar juros da dívida). O problema é criar as condições políticas para que isso ocorra, considerando que teremos eleições em menos de 12 meses.

Agência UOL