17 de abril de 2021
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Trabalho

Centrais reforçam a luta pela jornada de 36 horas

Depois da “lambança” do ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira ao dizer de que o governo pretendia regulamentar a jornada de 12 horas por dia, e de ter sido repreendido pelo presidente Michel Temer, o movimento sindical brasileiro, encabeçado principalmente pelas centrais, se uniram ainda mais na defesa dos direitos dos trabalhadores, reacendendo a luta pela redução da jornada de 44 horas semanais para 36 horas, sem redução salarial.

“Nunca deixamos de empunhar essa bandeira da redução de jornada para 36 horas semanais, pois acreditamos, com base em estudos sérios, que a redução pode proporcionar a geração de mais emprego e melhora também o desempenho do profissional no mercado de trabalho”, afirma José Lucas da Silva, presidente da Central do Sindicatos Brasileiros – CSB em Mato Grosso do Sul e presidente da Feintramag MS/MT (Federação Interestadual dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias de MS e MT).

“O ministro fez uma lambança! Não falou coisa com coisa e essa proposta que ele levantou já está prevista na Constituição. Portanto, o que ele fez, foi só tumultuar e acirrar os ânimos no setor que já estão à flor da pele diante das ameaças do Governo Temer aos direitos dos trabalhadores”, afirmou Lucas.

O sindicalista afirmou que o momento é de muita tensão e as centrais (maioria) estão empenhadas em defender com “unhas e dentes” os direitos conquistados dos trabalhadores.

A proposta de redução de jornada para 36 horas vem sendo defendida pela maioria do movimento sindical brasileiro há alguns anos. As centrais entendem que com a redução de jornada, o trabalhador terá mais tempo para se aperfeiçoar profissionalmente para, consequentemente aumentar e melhorar seus ganhos.

O representante da CSB em Mato Grosso do Sul disse ainda que com 36 horas semanais de trabalho, as pessoas terão mais tempo para o fortalecimento da família. “Fazendo isso , teremos uma sociedade melhor, com menos problemas de jovens nas drogas e na prostituição”, afirmou Lucas.

NOVOS RUMOS - A Diretoria Executiva Nacional da CSB se reuniu na última semana em Brasília para debater os rumos do País. Entre os dias 8 e 10 de setembro, a reunião da Executiva Nacional foi palco de importantes discussões com a presença de juristas e especialistas renomados, como o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, o ministro do TST Maurício Godinho Delgado, o desembargador Mário Macedo Fernandes Caron e o procurador do Trabalho João Carlos Teixeira, entre outros.

Diante do cenário político e econômico do Brasil, em que forças retrógradas agem para pressionar o governo na defesa de uma pauta negativa para os trabalhadores, a Central dos Sindicatos Brasileiros aprovou, por meio da Executiva, aprovou uma resolução contra a retirada de direitos. Com a ação, a CSB conclama todos os sindicatos filiados e trabalhadores do País a empreenderem uma campanha contra a aprovação de medidas que possam restringir direitos trabalhistas e previdenciários.

“O corte de direitos não promove a geração de empregos. Ao contrário, ele causa dificuldades econômicas, queda de arrecadação do Estado, além da diminuição do mercado interno, da qualidade de vida dos trabalhadores e o aumento da miséria e da fome”, relata trecho do documento.

O texto também cita como exemplos de retrocessos o estabelecimento da idade mínima para a aposentadoria, a aprovação do acordado sobre o legislado e de quaisquer outras medidas que tenham o objetivo de prejudicar os trabalhadores.