15 de abril de 2021
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ENTREVISTA | CULTURA

Corumbá deixa de movimentar R$ 15 milhões sem o Carnaval, mas pandemia aproxima ligas

Liga da Cidade Branca e da Capital de MS se aproximam para somar forças para festa tradicional se adaptar para 2022

Corumbá perdeu 15 milhões de reais pela não realização do Carnaval em 2021. “Em uma cadeia de mais de mil empregos diretos e 3 mil indiretos, temporários ou não. A indústria do carnaval sofreu o baque e buscará formas de se reerguer. O que importa é a perpetuação dessa importante ferramenta identitária da nossa cidade e, por que não, do nosso Estado”, explicou Victor Raphael de Almeida, Presidente da Liga Independente das escolas de samba de Corumbá – (LIESCO -MS).

Filho de mãe sambista, com 25 carnavais desfilando na Estação Primeira de Mangueira, “inclusive quando estava grávida de mim”, ao vir à Campo Grande conversou com MS Notícias sobre suas expectativas para o Carnaval do município de Corumbá (MS), onde atua movimentando a cultura por meio da tradicional festa brasileira. 

Para entender o que se perde com a ausência da festa tradicional, o sambista falou, estes de tudo, sobre o início de seu envolvimento com o universo do Samba. “Então nesse universo eu estou desde que me entendo por gente. Mas comecei a minha trajetória nos desfiles das escolas de samba de Corumbá entre 2010, ainda timidamente e 2011, aí já função de compositor e diretor de Harmonia pela Vila Mamona e Caprichosos de Corumbá, respectivamente”, introduziu. 

Conforme o presidente da Liesco, hoje Corumbá tem o carnaval potente graças a união do poder público com a iniciativa privada. “A LIESCO defende os interesses das escolas de samba na celebração de contratos e termos de colaboração ou fomento com o poder público e inciativas privada, além de organizar o carnaval, através dos seus documentos oficiais que são o regulamento e estatuto, além de fornecer a estrutura necessária técnica e logística para a formação do corpo de jurados e, subsequentemente a apuração dos desfiles”, explicou. 

Atualmente em Corumbá há dez escolas filiadas a Liesco: acadêmicos do Pantanal, Imperatriz Corumbaense, Império do Morro, Unidos da Vila Mamona, Unidos da Major Gama, Mocidade Independente Marquês de Sapucaí, Mocidade Independente da Nova Corumbá, Estação Primeira do Pantanal, Caprichosos de Corumbá e A Pesada.

Além do subsídio de prefeitura, segundo o presidente da Liesco, Corumbá conta com apoio do Governo do Estado. “Além de eventuais patrocínios, doações, recursos de promoções e vendas de fantasias angariados pelas próprias agremiações”, esclareceu. 

Victor comentou que a frente da Liesco trabalhará com o que for possível fazer, nesse momento de pandemia. “A Liesco se prepara com o que está disponível a ela. Seja na forma de lives de debates como aconteceu no "Um carnaval diferente" e segue agora com os "Intercâmbios Carnavalescos", e estamos preparando eventos show em formato de live também, buscando parceiros para essas iniciativas”, comentou.

Quando perguntado se os novos gastos impostos pela pandemia podem afetar diretamente o Carnaval, Victor explica que há um tempo para se preparar, mas que a resposta ainda virá. “É uma pergunta que a gente não tem como responder agora. Ganhamos 12 meses para planejar diversos cenários onde devemos nos preparar para realizar o carnaval na forma que ele for possível, do ponto de vista logístico e financeiro. Essa tem de ser a preocupação do momento. O que tenho certeza é que a saudade dos desfiles fará com o que o próximo carnaval tenha uma forma toda especial para compensar essa falta que ele faz aos foliões de coração”, apontou.

O sambista descartou a possibilidade de um carnaval fora de época em Corumbá. “Agora não [ocorrerá festa]. Mas pretendemos começar os eventos de pré-carnaval tão logo o grau de imunização nos permitir”, adiantou. 

O presidente da entidade corumbaense ainda comentou que neste momento difícil as Liga da Entidades Carnavalescas de Campo Grande (Lienca) e Liesca acabaram se aproximando. “Certamente já. Tivemos a LIVE no período do calendário do carnaval e pouco a pouco LIESCO e LIENCA vão estreitando os laços. O carnaval só tende a ganhar se os seus personagens procurarem a união”, opinou. 

Ao final da entrevista, o sambista comentou como a festa tradicional impacta a sua vida e a das pessoas. “Na minha totalmente. Desde questões tão pitorescas como lembrar de um samba de enredo para alcançar a reposta de uma questão nas provas escolares até mesmo o sentido de resistência cultural que o samba tem, pela sua origem e pelas chagas que, infelizmente, perdura a carregar. E imprescindível que nós, como dirigentes desse, aproveitemos as oportunidades para cultivar a semente do samba sempre que possível, pois a riqueza cultural que ele carrega certamente só tende a fazer o bem para quem se torna adepto”, finalizou.

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