14 de agosto de 2020
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Desculpas e retratações

Em 2019, Bolsonaro bateu recorde em desculpas e retratações

Ele, ministros e filhos se desculparam pelo menos uma vez ao mês

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) sentiu a pressão do cargo ao assumir a presidência em 2019. O mandatário pediu desculpa por declarações por pelo menos 10 vezes. Foi praticamente um pedido de desculpa ou justificativa de declarações (voltar atrás) a cada mês de gestão. 

Devido a declarações controversas, polêmicas e até comentários contra instituições democráticas, autoridades e brasileiros chegaram a comentar sobre a sanidade mental do presidente. 

Logo após a vitória, em novembro de 2018, o então presidente eleito Jair Bolsonaro pediu desculpas à presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, por "caneladas" durante a campanha eleitoral.

Janeiro 

Família Bolsonaro comemorou saída de Jean Wyllys (PSOL) do Brasil. O ex-deputado alegou que estava sendo ameaçado de morte após investigações sobre a morte de Marielle Franco. 

O presidente usou o perfil no Twitter para escrever “Grande dia!”. Na sequência, o filho Carlos Bolsonaro escreveu “Vá com Deus e seja feliz!”.

Questionado, Bolsonaro e o filho negaram que a mensagem tivesse relação com Jean Wyllys.

(Postagem de Carlos Bolsonaro- Foto: Reprodução)

Fevereiro 

O ex-ministro colombiano Ricardo Vélez Rodríguez (Educação) se desculpou publicamente por ter insultado os brasileiros em entrevista à revista Veja.

Março

O presidente publicou, no Twitter, um vídeo em que um homem aparece dançando sobre um ponto de táxi após introduzir o dedo no próprio ânus. Na sequência, surge outro rapaz que urina na cabeça do que dançava. 

Ao mesmo tempo, Bolsonaro pediu desculpas pelas imagens, para fazer críticas ao Carnaval: "Não me sinto confortável em mostrar, mas temos que expor a verdade para a população ter conhecimento e sempre tomar suas prioridades. É isto que tem virado muitos blocos de rua no carnaval brasileiro. Comentem e tirem suas conslusões[sic]:"

(Reprodução Twitter)

A postagem causou polêmica e autoridades reprovaram a atitude. Internautas chegaram a sugerir o impeachment do presidente que, na sequência, perguntou o que era “golden shower”.

No Carnaval, blocos diversos fizeram protestos contra o presidente e alguns pediram Lula Livre, o que irritou o mandatário.

Abril

Em coletiva no Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro disse que não considerava necessário pedir desculpas sempre que errasse. “Eu fazia xixi na cama até os cinco anos. Vou ter de me arrepender disso também?”. À época, ele estava sofrendo com impasses no Congresso e com ministros.

Jair trocou farpas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, às vésperas de discussões sobre a reforma da previdência. 

(Foto: Carolina Antunes- AFP)

Bolsonaro disse que o Maia estava “um pouco abalado com questões pessoais”. Deputado rebateu dizendo que o presidente estava “brincando de governar”.

Maio 

Presidente discursou no tom de 'morde e assopra' com o Parlamento. À época, a reforma da Previdência estava prestes a ser votada e ele precisava de apoio. A fala era de que Bolsonaro era refém do Congresso e da "velha política". Manifestações de direitistas foram organizadas para o dia 26 de maio.

Após troca de farpas que atingiram o presidente do Senado David Alcolumbre, o presidente ponderou e disse que valorizava o Parlamento e que eles dariam a palavra final. 

Junho

O presidente Jair Bolsonaro pediu desculpas publicamente à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) por falas dirigidas a ela, em 2014, quando afirmou que “ela não merecia ser estuprada”. Ele justificou que o episodio foi no calor do momento, em embate ideológico. Em nota publicada no Twitter, Bolsonaro esclareceu que atende a uma determinação judicial e manifestou o seu “integral e irrestrito respeito às mulheres”.

(Foto: Reprodução Youtube)

Agosto

Queimadas na Amazônia ficam intensas e presidente, sem provas, sugeriu que ONGs (Organização Não Governamental) seriam causadoras. "Pode estar havendo, não estou afirmando", disse.

O STF cobrou explicações e o presidente justificou dizendo que a fala era opinião. "A qual, no máximo, pode ser entendida como crítica, sendo que a referida declaração foi exteriorizada com base no meu direito fundamental de livre manifestação do pensamento”.

Ele também se envolveu em bate-boca com presidente da França, Emmanuel Macron, onde chegou a sugerir que a esposa dele era feia. Macron rebateu e o chamou de mentiroso. Bolsonaro exigiu que ele pedisse desculpas para aceitar ajuda de R$ 20 milhões ofertado pela França ou R$ 83 milhões do G7 para combate a queimadas da Amazônia. 

Setembro

Bolsonaro discursou em evento da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, dispensando a retórica conciliatória. A fala causou polêmica e partidos de oposição disseram que o presidente envergonhou o país, enquanto que bolsonaristas o parabenizaram.

Começou racha no PSL e briga entre políticos da ala bolsonarista e da ala pertencente ao presidente nacional Luciano Bivar. 

Outubro

No mês de outubro, Bolsonaro postou um vídeo no Twitter em que era representado por um leão e ameaçado por hienas, representadas por veículos de comunicação, OAB e STF. O decano do STF, Celso de Melo, chamou a atitude de “absurda e grosseira”. 

Depois de repercussão negativa e crítica do decano, o vídeo foi apagado e Bolsonaro se desculpou em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo. “Me desculpo publicamente ao STF, a quem por ventura ficou ofendido. Foi uma injustiça, sim, e vamos publicar uma matéria que leva para esse lado das desculpas. Erramos e haverá retratação”

AI-5

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, também pediu desculpa em outubro, depois de declarar ser necessário “um novo AI-5 caso a esquerda radicalizasse”. Não pegou bem a apologia à ditadura e ele se apressou em se retratar para não correr risco de perder o mandato.

Novembro

Após criticar a rede Globo e chamar a emissora de patife, o presidente negou ter obstruído provas no caso Marielle Franco. Ele teria buscado áudios das ligações realizadas entre a portaria e as casas do condomínio Vivendas da Barra.

Partidos de oposição representam contra Bolsonaro no STF. 

Em sua defesa, Bolsonaro alegou que capturou os registros para evitar que as gravações fossem adulteradas. "O que eu fiz foi filmar a secretária eletrônica com a respectiva voz de quem atendeu o telefone. Só isso, mais nada. Não peguei, não fiz backup, não fiz nada. A memória da secretária eletrônica está com a Polícia Civil há muito tempo. Ninguém quer adulterar nada". 

Dezembro

(Foto: Nicolas Aboaf/Frente Todos)

O ano fechou com o presidente voltando atrás sobre a exclusão da Folha de São Paulo do edital para renovar as assinaturas de jornais e revistas da administração federal; vetando a proposta aprovada pelo Congresso de distribuição de 100% dos lucros do fundo aos trabalhadores, acabando como está hoje, em distribuição de 50%; e revogando o próprio  decreto que excluída 17 profissionais do MEI (Microempreendedor Individual).

O mais emblemático do mês é relacionado ao novo presidente argentino Alberto Fernández, que tomou posse no dia 10 de dezembro. Após muita ‘birra’, Bolsonaro enviou o vice-presidente Hamilton Mourão para Buenos Aires para acompanhar a posse e convidou Fernandez para visita oficial ao Brasil.