13 de agosto de 2022
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Entidades manifestam apoio ao Cimi e pedem apuração nos casos maus-tratos contra indígenas em MS

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A polêmica em torno da criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa para investigar supostas denuncias de financiamento de invasões a propriedades rurais no Mato Grosso do Sul, que tem provocado confronto entre indígenas e fazendeiros  resultou na vinda de representantes de 15 instituições ecumênicas que reúne Brasil, Holanda e demais países da América Latina.

O grupo veio ao Estado para prestar apoio ao Conselho Indigenista Missionário (Cimi), braço da igreja católica, que está sendo alvo d a CPI na Casa de Leis. O Cimi tem como finalidade promover ações sociais voltadas para a população indígena, no Estado. Hoje (8), os integrantes da comitiva visitam as comunidades Apikay e Guyra Kamby’i, no município de Dourados.

Em reunião ocorrida ontem (7), na Capital, com o arcebispo de Campo Grande Dom Dimas, os representantes também expressaram preocupação em apurar as mortes, bem como maus tratos cometidos contra a população indígena em Mato Grosso do Sul. Uma outra CPI, proposta pelo deputado Pedro Kemp (PT) foi instalada ontem na Assembleia com essa finalidade.

De acordo com a representante da Coordenadoria Ecumênica de Serviço,Olga Matos, o objetivo da delegação é apoiar o Cimi e comunidades indígenas, que estão sofrendo violência.“Há um forte processo de criminalização dos movimentos e organizações que atuam no campo dos direitos humanos, em Mato Grosso do Sul”, disse Olga Matos.

 Cimi

A CPI para investigar supostas denuncias contra o Cimi foi proposta pela deputada estadual Mara Caseiro  (PTdo B). Até agora já foram feitas duas reuniões entre os integrantes do grupo para definição de oitivas. Na próxima terça-feira (13) estão previstos os primeiros depoimentos à Comissão. Os convidados a depor são o antropólogo Edward Luz, o padre Gildásio Mendes dos Santos, o sociólogo e jornalista Lorenzo Carrasco e o jornalista Nelson Barretto.

Em recente entrevista para o MS Noticias, o arcebispo de Campo Grande Dom Dimas Lara Barbosa, classificou como reducionista o fato de a CPI se pautar as investigações apenas no CIMI, uma vez que segundo ele, o pano de fundo dos conflitos entre indígenas e fazendeiros no Estado é o descaso do Governo Federal que  se arrasta há décadas.

Para o arcebispo, tanto a população indígena quanto produtores rurais são vítimas da falta de interesse do poder público. “Acho que deveria haver uma investigação dos verdadeiros motivos e busca por uma solução. Temos hoje uma situação muito complicada de conflitos de direitos na qual faltou, durante muito tempo vontade política”, disse.