23 de novembro de 2020
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Pandemia

Escolas particulares negociam mensalidades, mas temem dívidas em meio à pandemia

Unidades sindicalizadas defendem negociação individual com cada pai ou responsável

Os sindicatos de professores e escolas particulares de Campo Grande demonstram preocupação no desiquilíbrio de contas, com a redução na mensalidade e inadimplência. A categoria defende a negociação individual com cada responsável. As aulas estão sendo mantidas pela modalidade EAD (Ensino à Distância).

O Sinepe-MS (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Mato Grosso do Sul) informou que está em constantes reuniões com o Procon (Superintendência para Orientação e Defesa do Consumidor), Ministério Público e Defensoria Pública, e ressaltou que as escolas sindicalizadas já estão praticando desconto aos contratantes, muitas vezes superior as propostas dos órgãos.

“Todas as escolas representadas pelo sindicato demonstram sensíveis ao momento difícil. De acordo com a realidade financeira de cada instituição, cada fase da educação tem desafios e custos diversos, por essa razão entendemos ser impossível tratar de forma linear realidades distintas. A maior parte dos custos de uma instituição de ensino é com a folha de pagamento. Ainda houve necessidade de contratação de outros profissionais para viabilizar conteúdo à distância, como na área de TI (Tecnologia da Informação) e plataformas de conteúdo”, explicou em nota a presidente do Sinepe-MS, Maria Glória Paim Barcellos.

Ainda conforme a presidente do sindicato, a questão da inadimplência não é comum no setor privado, mas pode gerar dificuldades acionais à sobrevivência financeira do empreendimento educacional.

Uma das unidades da Capital, o Colégio Dom Bosco, abriu hoje (5) um canal de agendamento de negociações para pais que estão passando por dificuldades financeiras e podem tratar o assunto online. A escola tem 1.184 alunos matriculados, sendo 790 estudantes contemplados com bolsa ou desconto, representando 66,72 total de alunos na unidade. Porém, durante o período de pandemia, a inadimplência teve aumento de 26,10% no faturamento.

“Mesmo com redução de despesas como água, energia e material de limpeza, no importe de apenas 4,98%, a escola continua arcando com seus custos mensais, preservando o emprego de mais de 230 pessoas, professores, colaboradores e ainda honrando com compromissos financeiros perante seus fornecedores”, informou a assessoria de imprensa da unidade.

A situação já reflete nas contas do tatuador Denilson Oliveira, que teve faturamento reduzido em 40%. “Eu costumava faturar por semana, mais ou menos, R$ 1,5 mil, e agora soma R$ 700 ou menos. A mensalidade deste mês está atrasada, eu já entrei em contato com a escola e eles vão retirar os juros e multa”, explicou.

O sindicato e a Semed (Secretaria Municipal de Educação) ainda discutem uma data para o retorno das aulas presenciais, seguindo orientação e um plano de biossegurança.