05 de agosto de 2020
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Indígenas descumprem acordo em ocupação em Dourados

Diana Christie

Segundo o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Chico Maia, os indígenas que invadiram a fazenda localizada na MS-463, na região de Dourados, estariam descumprindo acordo entre lideranças indígenas, produtores rurais e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, feito em setembro. “É lamentável que as lideranças indígenas não tenham controle da situação. Foi decidido, junto ao ministro, não fazer ocupação enquanto o governo estivesse avaliando o preço das terras para comprar”, explica.

Na madrugada da segunda-feira, cerca de 20 indígenas da etnia guarani-kaiowá montaram acampamento dentro de uma propriedade privada, que é arrendada para uma usina sucroenergética, destinada ao cultivo de cana-de-açúcar. Os indígenas são do acampamento Apyka'i, que fica às margens da rodovia BR-463 e cobram um estudo para demarcação da terra.

De acordo com o dono da propriedade, José Alberto Teccheo, esta não é a primeira vez que a fazenda é alvo de ocupações. Ele conta que, em 2006, os indígenas fizeram sua primeira reivindicação da área e, em 2008, ocuparam as terras. Porém, a Justiça Federal lhe concedeu reintegração de posse.

Teccho explica que ainda está conversando com o seu advogado para decidir os próximos passos, mas promete: “será tudo dentro da legalidade”. Para o proprietário, a culpa da ocupação da área de 108 hectares é da “bajulação” que os indígenas recebem e da inércia do governo. Ele afirma que os índios pretendem aproveitar que a terra está pronta para o cultivo e começar suas lavouras.

“Eles são tratados sempre como coitadinhos. Mas olha na mídia como eles realmente são. Vê o que tem sobre eles. Foram os índios que estupraram uma criança de seis anos e um bebê de três anos. Esses são os índios. Um povo que rouba o que acha pela frente. Isso não sou eu quem está dizendo, eu vi na mídia. Outro dia, um índio foi roubar milho numa propriedade, estava bêbado, e por estar cambaleante acabou sendo atropelado”, acusa Teccheo.

Conforme dados da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), com a invasão da Fazenda Serrana, somam 67 propriedades privadas ocupadas no Estado.