28 de setembro de 2020
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INTERIOR

Mantido escravo, vítima foge e anda 100 km para fazer denúncia em Bela Vista

Cerca de 17 trabalhadores foram resgatados de fazendas no interior de Mato Grosso do Sul

Cerca de 17 trabalhadores foram resgatados de fazendas no interior de Mato Grosso do Sul, os homens eram forçados a trabalhar, um deles chegou a ser agredido, fugiu e precisou caminhar de Porto Murtinho até Bela Vista, para realizar a denúncia no Ministério Público Estadual. 

As vítimas foram resgatadas por força-tarefa realizada entre o Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul (MPT-MS), Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS), a Superintendência Regional do Trabalho e Polícia Militar Ambiental PMA, que encontrou homens em fazendas próximas ao município de Porto Murtinho entre os dias 2 e 6 de dezembro. Conforme a operação, os homens estariam sendo obrigados a trabalhar nas produções de carvão vegetal e construções de cercas e casas, todos eles sem receber por isso, quem se apunha a trabalhar apanhava. 

Alguns, segundo MPT/MS, estavam alojados em barracos improvisados com lona e galhos de árvores. O local não tinha iluminação e como cama eram usadas estruturas de madeira montadas diretamente no chão, além de não existir banheiro para uso dos trabalhadores.

A água consumida e usada no preparo de alimentos e para banho precisava ser retirada de um córrego, próximo à área onde estavam acampados, com galões lubrificantes. As carnes que eram consumidas pelos trabalhadores, ficavam suspensas em varais em contato com a sujeira e contaminantes diversos.

No município de Caracol, um trabalhador foi resgatado. Ele estava na fazenda há dois meses e receberia R$ 18,00 por forno de carvão – o total eram 23 unidades no local. Em dois meses ele teria recebido menos de R$ 500 e não retornou para Bela Vista onde morava antes da contratação.

Em MS, até o momento, foram 36 trabalhadores resgatados em situações análogas às de escravos.  Em abril deste ano, seis foram retirados de uma propriedade rural em Rochedo, após serem flagrados trabalhando em circunstâncias degradantes na produção de carvão.

No mês de outubro, outras 13 pessoas, parte dessas de nacionalidade paraguaia foram retiradas em situações humilhantes de fazendas nos municípios de Caracol e Bela Vista. Uma delas era mantida na condição análoga à escravidão há 11 anos. 

*Com informações do MPT-MS.