10 de abril de 2021
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Morre o cartunista Lan, aos 95 anos; o pai da carioquice

Ele estava internado havia dois meses

Morreu na manhã de hoje, 5ª-feira (5.nov.2020), aos 95 anos, o cartunista Lanfranco Aldo Ricardo Vaselli Cortellini Rossi Rossini, mais conhecido como Lan, em decorrência de uma pneumonia. Ele estava internado havia dois meses. A informação foi confirmada pelo cartunista Chico Caruso, amigo de longa data de Lan.

Lan, nasceu na província italiana da Toscana, mas na infância viajou bastante, devido as muitas trocas de residência, em virtude da profissão do pai, instrumentista. Aos 4 anos, Lan veio com a família ao Brasil, em razão de um convite para o patriarca integrar a Orquestra Sinfônica de São Paulo. 3 anos mais tarde o pai de Lan foi tocar na Orquestra Sinfônica da Rádio El Mundo, de Montevidéu e a família ainda passou 1 ano em Buenos Aires, antes de se fixar definitivamente na capital uruguaia.

De 1945 a 1946, Lan iniciou com seu trabalho nos jornais Mundo Uruguaio e El País, uma trajetória profissional que o consagrou internacionalmente.

Caricatura de Lan Caricatura de Lan 

No Brasil, ainda criança, Lan entrou em contato com a miscigenação de raças. A diversidade que viu durante os dois anos em que viveu no país resultou em um grande fascínio, acessado nas memórias da infância quando, em 1952, em visita ao Rio de Janeiro, deslumbrou-se com a geografia carioca, com a alegria do povo, mas principalmente com as mulheres. Não raro, os desenhos têm as formas do corpo feminino misturadas às dos morros da cidade. Grande parte da obra de Lan é destinada a elas, a mais conhecida temática do caricaturista.

"Alvarus e seus bonecos" é o módulo da bienal que apresenta originais e vasta memorabilia sobre a história da Álvaro Cotrim, caricaturista que é apontado como o pai da escola brasileira no estilo. Estão em sua obra, além da típica carioquice, a leveza e economia de traços. 

O caricaturista, que viveu entre 1904 e 1985, era dono de uma famosa biblioteca ligada ao tema caricatura. Mestre na técnica das caricaturas pessoais, foi um estudioso obstinado do gênero. Sua biografia sobre J. Carlos é uma obra de referência. dos melhores exemplares do gênero. 

Alvarus colaborou para as publicações Granada, Para-Todos, A Noite, Carioca e Vamos Ler, entre outras. Lan trabalhou nos jornais A Manhã, Crítica, A Noite, onde atuou de 1929 até sua extinção, em 1954. Em 1960 decide abandonar a produção de caricaturas para se dedicar exclusivamente aos estudos e artigos — publicados no JB e nas revistas adultas Fair Play e Ele & Ela.

Em 1972, Lan recebe o título de Cidadão Honorário da cidade do Rio de Janeiro pela Câmara Municipal. Ainda é condecorado com a Medalha Pedro Ernesto, o título de Carioca Honorário concedido pelo jornal O Globo e o título de Cidadão Honorário de Petrópolis.

EXPOSIÇÕES 

  • Primeira exposição, aos 23 anos, no Hotel Cassino Nogarón, em Punta del Este (1948)
  • Bienal de Humor de Foligno, em Umbria (1965)
  • Festival dei Due Mondi, em Spoleto (1965)
  • 50 años después, em Montevidéu (1991)
  • 50 anos de trabalho, no Museu de Belas Artes, na cidade do Rio de Janeiro (1995)
  • Tons do Carnaval, no Shopping Fórum de Ipanema, na cidade do Rio de Janeiro (2001)
  • A Velha Guarda da Portela, no Museu da Imagem e do Som, na cidade do Rio de Janeiro (2001)
  • Las Cariocas por Lan, no Centro Cultural da Pontifícia Universidad Católica del Ecuador, em Quito (2004)
  • Lan, um Porteño Carioca, no Centro Cultural Recoleta, em Buenos Aires (2005)
  • Scènes de Rio - Cenas Cariocas, no Centre Culterel Brésil France, em Paris (2005)
  • Ser carioca, na Casa França-Brasil, na cidade do Rio de Janeiro (2006)