12 de maio de 2021
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PRIMEIRA VEZ

Novas Mídias: TJ e ONU capacitam mulheres indígenas em Dourados

A cerimônia de abertura foi iniciada com uma reza indígena

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Até sexta-feira (7), a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) sedia o curso Mulheres Indígenas e Novas Mídias. A intenção é desenvolver atividades para capacitar mulheres indígenas para a produção e divulgação de conteúdos em mídias alternativas e fortalecer a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres na cidade de Dourados.

Esta é a primeira vez que o curso Mulheres Indígenas e Novas Mídias é realizado em todo o país, direcionado para pessoas indígenas, jornalistas, estudantes e comunicadores. Destaque-se que a facilitação será responsabilidade de uma mulher indígena: a cineasta Graciela Guarani.

O evento é uma realização do Tribunal de Justiça de MS, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, e da ONU Mulheres, em parceria com o Conselho Nacional de Justiça, a Faculdade Intercultural Indígena (Faind), Faculdade de Ciências Humanas (FCH/UFGD), a Unesco, além do apoio da Voz das Mulheres Indígenas.

A cerimônia de abertura foi iniciada com uma reza indígena, que lotou o palco do anfiteatro do Ceud, e uma apresentação cultural, que impactou os presentes. Palestraram sobre o tema central do evento Cleidiana Ramos, doutora em Antropologia; Graciela Guarani, comunicadora, cineasta, fotógrafa, oficineira de audiovisual, e Isabel Clavelin, da ONU Mulheres.

Compuseram a mesa a juíza Jacqueline Machado, que responde pela Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar; a gerente de projetos da ONU Mulheres, Fernanda Papa; Suzie Vito, do grupo Voz das Mulheres indígenas; Marisa Lomba, da Faculdade de Ciências Humanas/UFGD; Adriana Sales, do Núcleo de Assuntos Indígenas (NAIN); Ana Carolina Santana Moreira, do Núcleo de Diversidade de Gênero e Sexual/UFGD; Vanderleia Rocha, da Faculdade Intercultural Indígena, e Jaqueline Gonçalves Porto, da aldeia Jaguapiru.

Para a juíza Jacqueline Machado, o evento é muito importante, pois é necessário permitir que as mulheres indígenas tenham voz, que sejam ouvidas. No entender da magistrada, elas sofrem todos os tipos de violências que as mulheres sofrem, mas tem uma vulnerabilidade a mais pelo fato de serem indígenas.

Jacqueline mencionou a parceria com a ONU para expressar que a união deve render bons frutos e muito disso se deve à administração do TJMS, que tem envidado todos os esforços para que a Coordenadoria da Mulher consiga firmar termos de cooperação tão importantes.

“A mulher indígena está na mídia, mas de uma forma estereotipada. Precisamos que ela venha para a mídia e diga a situação em vive dentro das aldeias, a situação de vulnerabilidade que a atinge e a violência que vive hoje. Queremos estar no lugar de escuta para que essas mulheres digam as dificuldades que têm no acesso à justiça, como podemos abrir as portas do Judiciário e entregar uma justiça que seja proveitosa, já que por vezes a prestação jurisdicional atual não é eficaz para a mulher indígena, no meio onde ela vive”.

Nos próximos dois dias de trabalho serão abordadas questões como mulheres indígenas, saúde, acesso aos direitos no contexto de enfrentamento ao racismo, etnocentrismo e à violência em sociedade, além da abordagem sobre comunicação, mídias sociais, ética e princípios da solidariedade e justiça social.

Para a manhã desta quinta-feira está programada uma visita em uma aldeia indígena, a Aldeia Bororó, na área rural de Dourados, e a retomada do curso no período vespertino. O encerramento será na sexta-feira (7), às 13 horas. (Com assessoria).