20 de janeiro de 2021
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PRODUÇÃO

Remake de Pantanal pode deixar de abordar queimadas de 2020

Autor da novela revela que manterá fidelidade a trama original

O remake de da novela Pantanal, recentemente anunciado pela TV Globo para 2021, cria a expectativa de um novo encantamento com a região – que, no entanto, sofre com queimadas e a perda significativa de seu bioma. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2020, já foram registrados 18.259 focos de incêndio na região – o maior desde o início da série histórica medida pelo instituto, em 1998. É o terceiro bioma brasileiro mais atingido, atrás da Amazônia e do cerrado. Entre 1990, ano que a novela foi ao ar, e 2019, o Pantanal perdeu 10% de sua vegetação nativa, segundo o projeto MapBiomas.

A assessoria de comunicação da TV Globo afirma que a novela, que terá texto assinado por Bruno Luperi, neto de Benedito, e direção artística de Rogério Gomes, ainda não entrou em pré-produção e, por isso, não pode responder se as cenas serão gravadas majoritariamente no Pantanal, assim como na primeira versão, e que nenhuma locação foi escolhida. A reportagem do Estadão também perguntou a Luperi se as queimadas e a degradação da região ao longo dos anos serão abordadas no remake, mas não obteve resposta.

Sobre a nova versão, Luperi enviou a seguinte declaração: “Essa adaptação tem como principal meta ser fiel aos preceitos estabelecidos pela versão original. Tanto pelo respeito que temos ao Benedito e pela qualidade de sua obra quanto pelo público de uma forma geral, que preserva a obra viva em sua memória e seu imaginário depois de 30 anos. A sociedade é dinâmica. E o tempo, um agente fundamental no processo de maturação, compreensão e percepção do nosso comportamento e cultura. Não que ele irá mudar os personagens, pois ele não vai – e nem precisa. Mas ele, o tempo, nos dará a oportunidade para enxergarmos os personagens sob uma nova perspectiva, quem sabe, de uma forma ainda mais profunda”, escreveu o autor. 

O ator Marcos Palmeira, que viveu o peão Tadeu, durante a novela mudou sua visão sobre a alimentação, com o incentivo de Cássia Kis. “A convivência com uma natureza exuberante e com os animais também agregou. A relação com os peões no dia a dia, idem. A melhor cara do Brasil está no campo, nos homens simples”, diz. Há mais de 20 anos Palmeira se dedica ao Vale das Palmeiras, uma fazenda em Teresópolis, no Rio de Janeiro, na qual ele produz leite e derivados orgânicos.

Para o ator, será inevitável que o remake de 2021 aborde questões como as queimadas e o desmatamento na região. “Acredito que não há como fugir da realidade”, diz. Ele afirma que Benedito Ruy Barbosa “tem a política muito forte dentro dele” e que, na versão original, além de mostrar as belezas do lugar, também denunciou o drama dos trabalhadores da região. Palmeira considera a situação atual do pantanal “triste” e se mostra cético em relação à atuação do governo federal para coibir os incêndios. “Vivemos hoje uma situação complexa, onde o governo (federal) está do lado do desmatamento. Isso é muito louco! E nega, faz um discurso absurdo. É muito triste o que está acontecendo com o Pantanal. O Brasil não merece isso.”

VEJA AQUI A REPORTAGEM COMPLETA DO ESTADÃO