26 de novembro de 2020
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REPORTAGEM ESPECIAL

Rico festeja no Leblon e pobre se expõe ao vírus em ônibus lotado a caminho do trabalho

Conheça história de brasileiros e brasileiras que não podem ficar em casa

Em Bonsucesso, bairro da Zona Norte do Rio, o corredor do BRT, um ônibus articulado com corredor exclusivo, foi inaugurado em 2014 e começou a fazer parte da rotina dos moradores. A auxiliar administrativa Katia Silva passou a embarcar num articulado bem próximo à sua casa, na Estação Cardoso de Moraes, e em meia hora estava no Terminal Fundão. Apesar de cheio, era rápido. Para completar o trajeto até o trabalho, Katia precisava pegar um ônibus comum para, enfim, chegar ao destino, na Ilha do Governador, onde trabalha como auxiliar administrativa.

Mas, em maio de 2020, bem no meio da pandemia de coronavírus, dezenas de estações foram fechadas pela prefeitura e pelo consórcio que gere o BRT. Entre elas, as paradas de Olaria, Cardoso de Moraes e Santa Luzia no corredor Transcarioca.

Assim, o entorno dos bairros de Bonsucesso e Ramos – onde moram mais de 60 mil pessoas – ficou sem acesso ao BRT. O tempo de Katia até o trabalho dobrou e ela tem que usar uma van clandestina e um ônibus para ir à Ilha.

As estações de Katia estão entre as 9 que foram fechadas por vandalismo. Mas, ao mesmo tempo, outras 27 estações foram fechadas para tentar ampliar o isolamento social e reduzir o contágio. No entanto, a ação teve o efeito contrário: os ônibus do BRT continuam superlotados e usuários como Katia têm que usar vans clandestinas, lotadas e com pouca circulação de ar para substituir o transporte. A viagem, que antes durava cerca de 30 minutos, passou a ter mais de uma hora.

FONTE: Agência Pública. Veja a REPORTAGEM COMPLETA DA AGÊNCIA PÚBLICA.