20 de setembro de 2020
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Corredor bioceânico

Seminário aborda impactos comerciais e produtivos do corredor bioceânico para MS

 O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) realizou nesta terça-feira (10), em Brasília, o Seminário “Integração de Infraestrutura entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile via Corredor Bioceânico Rodoviário”, analisando os impactos comerciais e produtivos para o Mato Grosso do Sul. O coordenador de Economia e Estatística da Semagro (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), Daniel Frainer, esteve presente representando o Governo do Estado.

No evento foram levantados quatro aspectos que envolvem o Corredor Bioceânico. O primeiro, abordado pelo técnico do Ipea, Pedro Silva Barros, discorreu sobre a importância de não ser apenas uma nova rota para o transporte das mercadorias mais barata para a Ásia, mas sim, de abrir um novo caminho para a integração com os países envolvidos.

Já o professor Raphael Padula, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), falou sobre a importância do resgate dos principais projetos de infraestrutura e integração já existentes, tanto rodo como ferroviários, integrando o Brasil ao Pacífico e os principais resultados e objetivos alcançados.

Em um terceiro momento, o professor Luciano Weksell Severo, da UNILA (Universidade Latino Americana) apontou a necessidade de aprofundar a análise de produtos e insumos que teriam maior potencial para a integração. Por fim, a quarta palestra, da bolsista Sofia Samurio, mostrou os dados referentes às transações realizadas por Mato Grosso do Sul e os países envolvidos na Rota Biomecânica e as possíveis oportunidades de produtos e setores que poderiam ser explorados pela análise do comércio exterior atual, e potenciais produtos que poderiam ampliar esse comércio na área de abrangência do corredor.

Daniel Frainer apontou para a importância de um levantamento das ligações via criação de uma matriz de Insumo-Produto de Mato Grosso do Sul e os países do Corredor para medir os impactos desses investimentos e os possíveis cenários para o Mato Grosso do Sul.

Na visão do secretário Jaime Verruck, da Semagro, “a rota bioceânica entrou na pauta da estratégia brasileira” com o envolvimento do Ipea no projeto. “O olhar do Ipea é fundamental; o Paraguai, que é o maior investidor – do ponto de vista de infraestrutura – tem que receber o retorno em desenvolvimento. Com esse estudo, o setor privado começa a enxergar essa região como potencial para investimento”.

O secretário pondera que a Rota Bioceânica dá um conceito de ligação entre Brasil e Ásia. “Não podemos, de forma nenhuma, deixar de olhar o comércio regional. O Chile, por exemplo, produz muito salmão e, portanto, importa muita proteína de alto valor proteico que nós temos aqui. Esse é um exemplo de complementariedade. A Rota vai proporcionar o fomento de cadeias produtivas em todos os países”.