24 de setembro de 2020
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Descaso com saúde pode levar índios parar o Cone Sul

Revoltados com a situação caótica da SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indígena) e em apoio aos profissionais de saúde do órgão federal que desde a semana passada realizaram sem sucesso, paralisações do atendimento em toda a região cobrando melhores condições de trabalho e até medicamentos para realizar o atendimento à população guarani-kaiowá, lideranças de comunidades indígenas estudam uma ação conjunta para bloquear, de forma simultânea, vários trechos de rodovias que cortam o Cone Sul de Mato Grosso do Sul na semana que vem.Segundo lideranças da região ouvidas pela reportagem do grupo A Gazeta de comunicações, a manifestação, que inicialmente está prevista para acontecer na terça-feira, dia 25 de fevereiro e deverá causar transtornos e prejuízos a centenas de pessoas em toda a região, só não acontecerá se a SESAI se pronunciar e apontar soluções para o problema. Tantos os funcionários do órgão quanto os indígenas denunciam a falta de equipamentos de trabalho para realizar atendimento, remédios e denunciam o estado precário de conservação das viaturas usadas para transportar as equipes médicas e inclusive das ambulâncias. “Esses dias uma paciente foi despejada no meio da estrada porque a porta da ambulância, cuja fechadura estava danificada, acabou abrindo”, ressaltou um enfermeiro. “Nossa cobrança não é em relação ao pólo da SESAI em Amambai, nos demais municípios da região e a nível estadual e sim a nível de Brasília. O sucateamento da Secretaria vem descendo dia a dia. Desde que a FUNASA passou o atendimento das comunidades indígenas em todo o Brasil para a SESAI a qualidade só regrediu até chegar no ponto caótico que está agora”, disse Italiano Vasques, capitão da Aldeia Amambai, a reserva indígena mais populosa do Cone Sul, com cerca de 9 mil índios. Em relação específica a Aldeia Amambai, os lideres indígenas também cobram solução para o problema, segundo eles, crônico, de falta de água potável na reserva indígena.Amambai foi a primeira a se manifestar Até o momento apenas profissionais de saúde que prestam serviços a Secretaria Especial de Saúde Indígena, que inclusive, apesar de realizarem o atendimento normalmente, ainda não receberam salários neste ano de 2014, haviam se manifestado em relação à situação de “desleixo” por parte do Governo Federal com a SESAI e conseqüentemente com a saúde indígena no sul de Mato Grosso do Sul. Nessa quinta-feira, 20 de fevereiro, a comunidade da Aldeia Amambai, em Amambai, foi a primeira do Cone Sul a ingressar na luta e se manifestar em relação à questão. Centenas de indígenas, entre eles, estudantes, professores, líderes comunitários e membros da comunidade guarani-kaiowa, fizeram um dia de manifestação na Rodovia MS-386, trecho que liga Amambai a Ponta Porã. No período da manhã os manifestantes, munidos com cartazes cobrando ação do Governo Federal para resolver o problema, alguns pintados para guerra e armados com tacapes e outros realizando dança e reza, apenas bloquearam parcialmente o trânsito na rodovia estadual, no trecho que corta a aldeia indígena. Os manifestantes formaram barricadas com galhos e tronco sobre a pista, mas permitiam a passagem dos veículos. Sem receber nenhuma atenção, inclusive se quer da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) pelas reivindicações ora realizadas, no período da tarde a comunidade indígena resolveu “endurecer” a manifestação e bloquear de vez o trânsito na rodovia estadual. Durante o período que a pista ficou bloqueada, entre 13 e 17 horas, centenas de veículos, entre eles, caminhões carregados e até ônibus de transporte de passageiros, ficaram impedidos de seguir viagem. No final da tarde, mesmo estando revoltadas por mais uma vez seus clamores não serem ouvidos pelos órgãos governamentais, as lideranças indígenas liberaram o trânsito na rodovia, porém não descartam a realização de novos bloqueios. Indignado, um dos líderes do movimento desabafou à nossa reportagem. “Viemos aqui de forma pacífica, apenas pedir o que é nosso direito, que é uma saúde descente e não fomos se quer ouvidos. Não compareceu ninguém, nem SESAI, nem FUNAI e nem o Ministério Público Federal para ouvir nossos apelos. Será que teremos que começar a praticar atos de violência para que possamos ser ouvidos?” exclamou o líder guarani-kaiowá. A Gazeta News