29 de setembro de 2020
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Índios reclamam que criminosos atravessam aldeia para traficar drogas

O uso da aldeia Amambai, localizada na rodovia MS 386, cidade de Amambai – distante 342 km de Campo Grande, como corredor para tráfico de drogas e bebidas preocupa as lideranças indígenas da região. De acordo com o cacique-líder da aldeia, Capitão Italiano, muitas estradas de acesso à reserva e a proximidade com a região de fronteira são as principais causas do aumento da criminalidade no lugar.

“Aqui até o Ministério Público, a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a Polícia Federal sabem o caso de Amambai. Por causa de bebidas e drogas que ocorrem homicídios, brigas, gente esfaqueada. Acontece porque estamos muito perto da cidade, muitas entradas. Entra muito não-indígena e não tem como controlar. A aldeia de Amambai não tinha droga, viciado. A droga vem da mão do branco”, declarou.

Segundo o cacique, a região abriga a segunda maior população da etnia Guarani-Kaiowá do Estado e está abandonada. Ele afirma que faltam viaturas policiais para atender a população local e o atendimento médico é precário para toda a população de Amabai. “A cidade tem cerca de oito mil habitantes, não é só um médico que vai vencer toda essa gente”.

Capitão Italiano ressalta que a intenção dos índios é progredir respeitando suas tradições e culturas, mas a maciça presença de não-índios na reserva é preocupante. “Nós pensamos em trabalhar, plantar, produzir alimento. Também em estudar e melhorar a vida da criança”, finalizou.

Diana Christie