04 de agosto de 2021
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Prefeitura terá de aumentar subvenção em 58% para garantir transporte gratuito a índios e assentados

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A subvenção do transporte universitário terá de ser aumentada em 58% para que seja assegurada gratuidade aos alunos indígenas e moradores dos assentamentos. O repasse mensal neste caso subiria de R$ 77 mil para R$ 122 mil, ainda assim abaixo dos R$ 150 mil previstos no orçamento da Prefeitura e bem abaixo dos R$ 333 mil gastos em 2013. O valor suplementar de R$ 45 mil corresponde ao custo mensal do fretamento de três ônibus, frota necessária para atender aos calculados 158 alunos oriundos destes dois segmentos. Depois da invasão de sexta-feira passada, quando um grupo de assentados e terena invadiu o Paço Municipal para cobrar a gratuidade, a cobrança pelo transporte será restrita  aos alunos residentes na área urbana, embora entre eles, certamente, hajam estudantes com o mesmo perfil sócio-econômico de quem mora na zona rural. A estimativa de gasto suplementar não computa a despesa do transporte das aldeias e assentamentos até a praça central, ponto de embarque dos ônibus que levam os estudantes até as faculdades em Campo Grande e Maracaju. Neste trajeto, a Prefeitura deve usar os ônibus da sua frota própria do transporte escolar, tendo, portanto, gastos com combustível e pagamento de hora-extra aos motoristas. Os números exatos só serão fechados quando se souber exatamente quantos são os universitários indígenas e dos assentamentos. No cadastramento que a União dos Estudantes de Sidrolândia encerrou na quinta-feira passada  não especificou quem entre os aproximadamente 700 inscritos, pertencem aos dois segmentos. Além disso, muitos deles se recusaram a fazer o cadastramento porque  não tinham o dinheiro ou simplesmente discordavam da cobrança de R$ 25,00 como taxa de adesão. As lideranças indígenas calculam que haja 52 universitários terena, sendo 34 residentes nas aldeias Lagoinha e Córrego do Meio e 18 da aldeia urbana Tereré. Um micro-ônibus será suficiente para trazer até a praça central quem mora nas aldeias. Já o contingente dos assentamentos deve ter 106 alunos, sendo 47 da região do Eldorado e 59 dos assentamentos situados na saída para Maracaju (Capão Bonito, São Pedro, Geraldo Garcia, Vacaria, dentre outros). Em defesa da gratuidade os assentados tem um argumento básico: a maioria não consegue produzir nos lotes o suficiente para ter renda que cubra as despesas domésticas e só estão conseguindo pagar a faculdade (com exceção é claro de quem estuda em universidades públicas) porque recebem bolsa ou fizeram o financiamento estudantil.Quem enfrenta esta situação são as assentadas Roseni de Oliveira e Terezinha Sirlei, ambas estudantes de pedagogia na Anhanguera  Interativa de Sidrolândia e vizinhas de lote no Núcleo João Batista do Eldorado, a 60 quilômetros do centro da cidade. “Não recebemos o financiamento do PRONAF, porque não saiu o DAP. O Incra  não entregou o material para construção das casas e estamos há seis anos lutando para sobreviver. Recebo R$ 70,00 do bolsa família que  ajudam na despesa de casa. Só estou estudando porque consegui a bolsa concedida pela Prefeitura”, afirma dona Terezinha, que na sexta-feira deixou os filhos em casa para vir até a cidade reivindicar a gratuidade. Mesmo quem já está num assentamento mais estruturado  (como o São Pedro) garante que não tem condições de pagar pelo transporte. Dona Solange Araújo veio participar da manifestação de sexta-feira  representando seu filho, Marco William, que fez o FIES (Financiamento Estudantil) para custar  a faculdade de educação física na UCDB. Já o estudante do terceiro ano de direito na mesma universidade, Anderson Brito, do Assentamento Capão Bonito, garante: seu pai já está  tendo que se sacrificar para pagar os R$ 850,00, não teria condições de arcar com uma despesa adicional. Região News