15 de agosto de 2020
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Teste de colisões mais duro barra adiamento de airbag

A proposta do ministro Guido Mantega (Fazenda) de adiar a obrigatoriedade de que todos os carros novos tenham airbag e freio ABS não será suficiente para garantir a sobrevida de carros mais antigos, como o Uno Mille (Fiat) ou o Gol G4 (VW).

Uma medida de segurança prevista para entrar vigor em 2014 passa a exigir que todos os modelos zero-quilômetro vendidos no Brasil atendam requisitos mínimos em um teste de colisão mais rigoroso, hoje válido apenas para os novos projetos.

Para técnicos, os projetos mais antigos não têm condições de passar no teste.

"Quando um veículo não está projetado para um determinado teste, não é só o airbag que vai ajudar. Estamos falando de projetos de 1980, não vão atender a uma solicitação que é dos anos 2000", diz Carlos Bonote, vice-presidente para o Brasil da VCA (certificadora do setor automotivo do Reino Unido).

O procedimento brasileiro para homologação que entra em vigor em 2014, segundo resolução do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) de 2007, considera pontos como limites de deslocamento da coluna de direção, ausência de vazamento de fluidos gerado pela colisão e lesões de cabeça e tórax.

Dos três modelos que poderiam ganhar sobrevida com a proposta de Mantega de não obrigar as montadoras a equipar os veículos com os itens de segurança -Mille, Kombi e Gol G4-, apenas a Kombi não precisaria passar pelo novo teste de colisão, devido ao modo como foi redigida a norma no passado, que restringe a aplicação a automóveis, camionetas e seus derivados.

A Kombi não se enquadra nessas classes: é um veículo "comercial".

Questionado sobre a possibilidade de adiar a aplicação do novo teste de colisão, o Ministério das Cidades, responsável pelo Contran, não respondeu até a conclusão desta edição.

PREVISÃO

Segundo a Folha apurou, representantes das montadoras já dão como certa a aprovação do adiamento das normas sobre airbag e freios ABS.

Também acreditam que há chances de prorrogação da extensão do teste de colisão.

Anteontem, Mantega havia justificado o adiamento das normas de segurança pelo acréscimo que teriam sobre o preço dos modelos, estimado em até R$ 1.500.

Seria uma forma de evitar uma pressão a mais sobre a inflação no ano que vem. Ontem, Mantega disse que a medida seria importante para garantir empregos nas linhas de produtos ameaçados de extinção.

Folhapress