O piloto sul-mato-grossense Henrique Martin e a pesquisadora alemã Lydia Theresia Möcklinghoff morreram na manhã desta 6ª feira (3.jul.26), após a aeronave em que estavam cair logo após decolar do Aeroporto Santa Maria, na saída para Três Lagoas, e tinha como destino o município de Aquidauana.
As vítimas seguiam para o Pantanal sul-mato-grossense para dar continuidade a estudos sobre a fauna da região.
Henrique era piloto profissional e atuava havia cerca de um mês na empresa Amapil. Antes disso, trabalhou como instrutor de voo em uma escola de aviação. Nas redes sociais, compartilhava registros frequentes de voos realizados pelo Pantanal e outras regiões do país, além de momentos ao lado da esposa e da filha.
A notícia da morte repercutiu entre colegas da aviação. Amigo de Henrique, o piloto Clauss Ferracini Mendonça lamentou a perda e destacou a dedicação do profissional à carreira.
"Recebi com muita tristeza a notícia do falecimento do Henrique. Ele voou comigo e me ajudou em procedimentos. Era um profissional capacitado, voava por instrumentos e amava o que fazia".
Segundo Clauss, a trajetória de Henrique foi construída com esforço e apoio da família.
"Ele trabalhava comigo na escola de aviação e limpava outros aviões. Até modelo fotográfico para a minha loja de pilot shop ele foi".
ESTUDAVA TAMANDUÁS
Natural da Alemanha, Lydia tinha 45 anos e desenvolvia pesquisas voltadas à biodiversidade do Pantanal. Mestre em Zoologia pela Universidade de Würzburg, ela fazia doutorado em seu país de origem e integrava equipes de pesquisa ligadas ao Museu Zoológico Alexander Koenig, em Bonn, e à unidade de pesquisa CO.BRA (Computational Bioacoustics Research Unit).
Sua linha de atuação envolvia ecologia tropical, comportamento de mamíferos e monitoramento automatizado da biodiversidade. Nos últimos anos, vinha realizando estudos de campo sobre tamanduás na planície pantaneira.
Antes do acidente, Lydia havia desembarcado no Rio de Janeiro e passado a noite em Campo Grande. Na manhã desta 6ª- feira, embarcou rumo ao Pantanal, onde daria sequência às atividades científicas.
DESTROÇOS
A aeronave caiu em uma área de vegetação localizada nas proximidades do Aeroporto Santa Maria, ao lado direito da pista e perto do Condomínio Atlântico. Os destroços foram localizados por um funcionário de um hangar, que participava das buscas desde as primeiras horas da manhã.
De acordo com informações do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o avião era um Neiva EMB-810D, fabricado em 1983 e registrado sob a matrícula PT-WYQ.
Os registros apontam que a aeronave estava com a documentação regular e possuía Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido até junho de 2027. Também estava homologada para operações por instrumentos (IFR), modalidade utilizada em condições de baixa visibilidade e durante voos noturnos.
As circunstâncias da queda serão investigadas pelos órgãos responsáveis pela aviação civil.











