03 de dezembro de 2020
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Bebidas e cigarros é a porta de entrada para as drogas, diz promotor

Para o promotor da Vara da Infância e da Juventude, Sérgio Harfouche, as imagens divulgadas no Facebook de crianças pequenas com latas de cerveja e narguilé na boca demonstram o despreparo de pais que são coniventes com as drogas.

“Se pai ou mãe faz isso com o próprio filho mostra que não estavam preparados para ter um filho. Isso é a raiz dos problemas das drogas. Começa com uma bebida daqui, um cigarro dali e daqui a pouco está na pasta base e na maconha. Campo Grande é uma das capitais com maior consumo de álcool por adolescente no Brasil. Um pai que faz uma coisa dessas tem que ser punido. É uma estupidez. Ele tem a responsabilidade de preservar essa criança”, declarou.

De acordo com pesquisa publicada em 2012 na revista científica Drugs and Alcohol Dependence, um em cada três jovens brasileiros de 14 a 17 anos se embebedou ao menos uma vez ao longo de um ano. Um claro desrespeito ao artigo 243 do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), que proíbe vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida.

Segundo o promotor, dependendo do caso, o pai ou a mãe dessa criança ou adolescente pode perder a guarda dos filhos e até parar na prisão. Harfouche defende ainda que os jovens precisam de limites que devem ser estabelecidos por seus responsáveis. “Eu acho que tem que ter horário pra tudo. E quem tem a obrigação de controlar os horários de crianças e adolescentes, que horas vão e aonde eles vão são os pais. Não é serviço da lei”.

O promotor ainda ressalta que uma portaria estabelecendo horários para adolescentes seria inútil em uma cidade do tamanho de Campo Grande, pois seria impossível para a polícia fiscalizar.

Diana Christie