28 de novembro de 2020
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Trabalhadores acidentados sofrem com a demora no agendamento de perícias médicas em Campo Grande

Após sofrer algum tipo de acidente e precisar recorrer à Previdência Social, diversos trabalhadores acidentados reclamam da demora e descaso que segundo eles existe por parte da instituição. De acordo com José da Silva, presidente do Sintramm (Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias de Campo Grande), a demora no agendamento das perícias médicas chegam há dois meses, enquanto o repasse dos salários atinge a marca de três meses de espera.

José diz que além de irregular, a atitude tomada pela Previdência Social é um desrespeito ao servidor contribuinte. “O trabalhador contribui para na hora da necessidade ter pra quem recorrer, porém, a realidade atual é bem diferente, o tempo de espera é exorbitante. A previdência simplesmente não está funcionando”, relata o presidente que lembra ainda das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores devido à lentidão dos repasses financeiros. “Muitas pessoas chegam a ter dificuldades na compra de alimentos e outras necessidades básicas, isso é um desrespeito que vira humilhação”, afirma.

O advogado Henrique Lima explica que mesmo sendo uma situação difícil para o segurado, a única saída é esperar. Ele lembra que embora exista a possibilidade de se entrar com um pedido de indenização por danos morais, dificilmente o trabalhador terá ganho de causa, tendo em vista que o servidor  sempre é reembolsado com o valor do retroativo. “É uma situação terrível pra quem passa por essa situação, mas infelizmente o mais recomendado é aguardar, claro que a pessoa que se sinta injustiçada também pode cobrar do MPF (Ministério Público Federal) uma providência concreta”, lembra.

Henrique destaca ainda que a grande causa para o problema da Previdência Social provém do próprio poder público que administra a instituição. “O fato é que existem muitas perícias para serem realizadas por poucos médicos, cabe ao próprio governo usar o bom senso e adequar essa situação”, conclui.

Clayton Neves