05 de dezembro de 2020
Campo Grande 30º 24º

VIOLÊNCIA

PMs de motim que atiraram em Cid Gomes agem sob orientação de políticos bolsonaristas

A articulação dentro do batalhão estava sendo feita pelo vereador de Sobral, Sargento Ailton

Reportagem de Melquíades Júnior, do Diário do Nordeste, comprovou que os policiais militares amotinados em um batalhão em Sobral, no Ceará, responsáveis pelos tiros que atingiram o senador Cid Gomes (PDT-CE) agem sob o comando de três políticos do estado ligados a Jair Bolsonaro.

O jornalista acompanhou de dentro do Batalhão do Raio e da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), onde ocorreram os disparos contra Cid, as trocas de informações entre os amotinados e os políticos bolsonaristas: o deputado federal Capitão Wagner, o deputado estadual Soldado Noelio e o vereador de Fortaleza, Sargento Reginauro, todos do Partido Republicano da Ordem Social (PROS).

Os dois deputados foram eleitos em 2019 na esteira da onda bolsonarista e ostentam em suas redes sociais diversos atos de campanha para o presidente.

A articulação dentro do batalhão estava sendo feita pelo vereador de Sobral, Sargento Ailton, que foi expulsondo partido Solidariedade nesta sexta-feira (21) por ser um dos líderes do atentado contra o senador do PDT.

Segundo relatos da reportagem, Ailton dizia, em determinado momento, que não paravam de chegar mensagens vindas de Capitão Wagner, deputado Noélio e Sargento Reginauro.

O jornalista ainda relata que a maioria dos amotinados são jovens, de pouco mais de 20 anos. Os PMs vestiam preto, mesma cor dos óculos, bonés e balaclavas que usam para não ser identificados e punidos.