03 de dezembro de 2020
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Bernal e Chaves: quando léguas de distância se medem em um único passo

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O gabinete do prefeito Alcides Bernal e a sala de seu secretário de Governo, Pedro Chaves dos Santos, estão localizados no mesmo prédio. O espaço que confina os dois destaca-se imponente no quadrilátero da Avenida Afonso Pena com as ruas Arthur Jorge, Barão do Rio Branco e 25 de Dezembro. Muito próximos, a poucos passos um do outro, eles quase não se vêem. Pior: quase não se encontram.

Difícil, muito difícil, imaginar que a distância de um passo entre ambos possa ser igual a uma quilometragem continental de separação física. E política. E poderá ser pior, virar separação afetiva mesmo. Ou a dose de paciência de Chavez supera limites de mortais comuns.

Empreendedor que construiu seu império, seu prestígio e seu poder tocando investimentos privados de ensino, Chaves trafega em novo itinerário de sua existência septuagenária. É o primeiro suplente do senador Delcídio Coelho, pré-candidato do PT ao Governo. Se as eleições fossem hoje, as pesquisas de intenção de voto dizem que Delcídio seria o eleito. Sua vaga no Senado, então, passaria a pertencer em definitivo a Pedro Chaves dos Santos.

Se Delcídio teve ou não influência na indicação de Pedro Chaves para fazer a interlocução política do prefeito, agora isso pouco importa. O senador não vai brigar com Bernal por causa de Chaves. Não briga, mas não precisa dele para continuar preparando o terreno de sua campanha. Ao contrário: é Bernal quem precisa de Delcídio, ou melhor, de todos os 11 congressistas. São oito deputados federais e três senadores que transitam pelos caminhas das pedras palacianas, alguns conhecendo as rotas mais seguras. É o caso de Delcídio.

Porém, isso não importa. Ou não importaria hoje. O que causa gênero é esta surpreendente e explícita desvontade do prefeito de conversar com seu interlocutor político. Conversar, ainda que faça ouvidos moucos. Dar atenção. Saber o que Chavez fez Oe o que não fez, o que acertou e o que errou, o que conseguiu e o que não conseguiu, notadamente no território conflagrado em que se digladiam o chefe do Executivo e a maioria oposicionista de vereadores.

Consta que Chaves, mesmo sem a reclamada experiência factual da práxis conciliadora em política, teria logrado avanços expressivos em favor do prefeito, melhorando para ele alguns cenários nos quais sua sustentabilidade já havia perdido quase todas as escoras. Poucos passos separam Chaves de Bernal no cotidiano do Paço Municipal. Poucos passos entre duas portas, uma delas quase sempre fechada para quem está ali convocado para a tarefa de abri-las. Essa distância pode ser medida não por telefonemas inúteis ou incontinentes ausências presentes de quem ouve as batidas na porta. Batidas que se tornam palavras do silêncio. No ar, entretanto, os acontecimentos sugerem que Bernal há de abrir a porta, cedo ou tarde. Falta saber com quais chaves. E por quais portas.