14 de maio de 2021
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Candidatura de Puccinelli põe primeiro grande diferencial na eleição 2014

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O governador André Puccinelli (PMDB) está decidido a assumir seu papel de elemento decisivo na sucessão estadual. Se ficar limitado a levar até o fim seu segundo mandato à frente do Governo, permitirá que o quadro favorável ao senador Delcídio Amaral (PT) praticamente permaneça o mesmo, o que é ruim para os projetos eleitorais dos peemedebistas. A pré-candidatura de Nelson Trad Filho ficaria sem o calço mais consistente e o partido do governador estaria entregue à própria sorte, na dependência da performance do ex-prefeito de Campo Grande. Ainda que suba ao palanque de Nelsinho Trad e faça o corpo-a-corpo infatigável a que está acostumado, Puccinelli governador não terá o mesmo e envolvente impacto de um Puccinelli candidato, pedindo votos para ele e para os seus correligionários, sobretudo aquele que pensa sucedê-lo a partir de 2015. Se, todavia, vestir a roupa de candidato ao Senado, um cargo majoritário e de generoso espaço na mídia eleitoral, Puccinelli vai encarnar um sentimento diferente por parte do eleitorado que tanto soube cativar em seus mais de 30 anos de vida pública. SIMONE SABIA - A vice-governadora Simone Tebet sabia, e faz tempo, que quando se lançou pré-candidata a senadora poderia estar figurando como peça de stand-by de luxo, à espera do momento em que o governador reclamasse o lugar que ela ocupa hoje. Por isso, ao admitir que pode ser guindada para a primeira suplência na composição majoritária do PMDB, com a possibilidade de ser convocada para substituir Nelsinho Trad na cabeça de chapa, Simone simplesmente executa a jogada mais simples e previsível no lado ocupado pelo partido nesse tabuleiro. A pré-candidatura de Nelsinho Trad ganha um plus considerável só com o impacto do burburinho causado pelas declarações de Simone. Melhora no aspecto da densidade política, do espraiamento de sua presença, ainda muito distante do eleitorado interiorano. Mas é uma melhora cujo peso na balança eleitoral só poderá ser aferido em pesquisas acreditadas e insuspeitas, qualitativas e quantitativas, na simulação dos possíveis cenários da sucessão. Em princípio, uma chapa com Delcídio Amaral para governador e Puccinelli para senador faria de ambos dois candidatos, hoje, imbatíveis. Mas se o PMDB entrar na disputa em vôo-solo com Nelsinho para governador e Puccinelli a senador, os resultados, hoje, são imprevisíveis. No que toca à capacidade pessoal de Nelsinho para crescer, é difícil dizer se seu desempenho será suficiente para competir com o petista, ainda que tenha Puccinelli como parceiro de chapa. Além disso, se vingar a aliança branca entre PT e PSDB, a candidatura do tucano Reinaldo Azambuja ao Senado descontaria boa parte da facilidade que Puccinelli teria se estivesse com Delcídio. É evidente que tal raciocínio mergulha num mar de deduções lógicas e divagações, porém sem abalroar as possibilidades concretas. Em miúdos, numa chapa pura do PMDB, a candidatura de Nelsinho Trad ao governo é a que ganha muito mais com a companhia de Puccinelli como concorrente ao Senado. Resta saber se nessa compensação desigual o governador conseguirá calcular o risco de servir apenas de suporte para um projeto governamental sem garantia de sucesso e nessa empreitada comprometer suas próprias ambições políticas. Por fim, uma verdade objetiva e indiscutível está delineada: com Puccinelli candidato ao Senado, a disputa majoritária em Mato Grosso do Sul será, efetivamente, uma disputa. Edson Moraes, especial para MS Notícias