01 de dezembro de 2020
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Com dívida alta, governador encerra 2ª gestão com cortes

Diferentemente de gestores que economizam no início do governo para gastar ao final, André Puccinelli (PMDB) deverá encerrar o ciclo de dois mandatos em Mato Grosso do Sul em ritmo de contenção de despesas.

O motivo é a dívida do Estado, que, embora controlada na relação com a receita, tem crescimento previsto de 54% de 2011 a 2014. E consome cerca de 15% da arrecadação mensal média do Estado.

"Vamos manter o nível de desenvolvimento segurando o custeio e investimento próprio, não tem como soltar o freio", afirma o secretário da Fazenda, Jader Afonso.

O aperto vem desde julho de 2012, quando Puccinelli mandou as pastas cortarem 20% nas despesas. Neste ano, já são 1.800 cargos comissionados a menos e restrições em diárias, passagens e novas contratações.

A gestão torce pela liberação de empréstimos para tentar manter os investimentos. Reclama que um aporte de R$ 714 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), esperado para julho, só teve 16% repassados.

Apesar das restrições de caixa, o governo diz que cumpriu a maioria das 15 metas da campanha de 2010, como aumento de incentivos fiscais e asfaltamento de vias.

E afirma que entregará em 2014 o que classifica como "obra emblemática" para Campo Grande, o Aquário do Pantanal, obra de R$ 84 milhões, projeto do arquiteto Ruy Ohtake e que pretende ser o "maior aquário de água doce do mundo".

A oposição diz que o governador, que já comprou briga com ambientalistas ao defender a expansão da cana-de-açúcar no Pantanal, prioriza a infraestrutura em detrimento do social.

O deputado estadual Pedro Kemp (PT), por exemplo, afirma que Puccinelli não valoriza o servidor e só atinge o gasto mínimo obrigatório em educação com ajuda federal.

O secretário da Fazenda reconhece "rigor" da gestão com salários, mas diz que houve aportes para qualificação do funcionalismo e que a aposta em infraestrutura gera impactos sociais positivos.

O governo enumera ainda como bandeiras sociais a entrega de 70 mil casas populares e o auxílio a 100 mil famílias em projetos como Vale Renda e Vale Universidade.

CENÁRIOS PARA 2014

A disputa pela sucessão de Puccinelli caminha para um pleito polarizado entre PMDB e PT, rivais históricos no Estado. Pelo PMDB, o nome mais forte hoje é o do ex-prefeito de Campo Grande Nelson Trad Filho, enquanto o senador Delcídio do Amaral deve concorrer pelo PT.

Especula-se sobre o papel do PSDB na disputa. A sigla é sondada a fazer aliança informal com o PT, que deixaria de concorrer ao Senado para dar espaço ao deputado tucano Reinaldo Azambuja.

Em contrapartida, o PSDB trabalharia pela candidatura de Delcídio, que reconhece a possibilidade. Os tucanos locais dizem esperar orientação da cúpula nacional da sigla.

Folhapress