23 de janeiro de 2021
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Críticas de Airton a Semy não encontram eco na base

Nem mesmo a base parlamentar do PT, partido de Airton Araújo, endossou o tom das críticas disparadas pelo vereador hoje pela manhã contra Semy Ferraz, secretário municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação de Campo Grande. Araújo afirmou que o secretário não atende ninguém, “nem por telefone”, está deixando a desejar e comporta-se como uma estrela.

Pela intensidade verbal e desqualificadora dada por Araújo nos ataques a Semy, esperava-se uma repercussão das mais amplas e igualmente carregadas, sobretudo dentro do bloco oposicionista. Mas o que se percebeu, até agora, é uma tímida reação dos que deveriam fazer coro em forma e conteúdo à palavra do petista. Se isso não aconteceu, no mínimo o vereador calibrou erradamente sua investida, dando a ela uma superdimensão.

No histórico de Semy Ferraz na profissão e na política – engenheiro civil, dirigente de empresas públicas e ex-deputado estadual – não há qualquer registro de um comportamento como o que vem sendo atribuído por Araújo. Quando o prefeito era Alcides Bernal e Semy ocupava o mesmo cargo, cultivou relações de respeito e até de proximidade com vários adversários, inclusive alguns que criticavam da tribuna o desempenho de sua pasta. Semy angariou ao longo tempo diante do esforço que demonstrou em resolver os problemas de sua pasta o respeito até mesmo de vereadores que faziam oposição ao prefeito cassado Alcides Bernal (PP). As declarações eram sempre as mesmas, e por sinal, contrárias as de Araújo, ou seja, nenhum vereador reclamou sequer uma vez que o secretário não o atendeu. 

Ninguém analisou ou viu detidamente a movimentação de Araújo e dos demais vereadores durante todo o processo de defenestração de Bernal, para tirar daí uma conclusão fiel sobre os humores e as oscilações de parlamentares e de partidos na nova ordem política e administrativa instalada com a posse de Gilmar Olarte. Mas até prova em contrário Aírton Araújo foi parte expressiva e atuante da base que deu sustentação a Bernal e subscreveu a atuação de Semy Ferraz, um petista, à frente da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação.

Afinal, o caso não é tão residual ou pequeno como possa parecer. A pasta dirigida por Semy é a responsável pela condução de todos os investimentos que definem o tamanho, a qualidade e o conteúdo do desenvolvimento físico, social e sustentável que diz respeito às quase 900 mil pessoas que habitam a capital de Mato Grosso do Sul.

Da Redação