15 de agosto de 2020
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Dobashi não traz novidades para a CPI, mas confessa parte da culpa

Diana Christie

Para os membros da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde da Câmara, o depoimento da ex-secretária estadual de saúde, Beatriz Dobashi, não trouxe nenhum fato novo sobre o que já foi apurado até então, porém ela foi a primeira a assumir que cometeu erros. “Nenhum depoimento traz fatos novos. Traz esclarecimentos”, afirmou o presidente da CPI, vereador Flávio César (PT do B). Já Alex do PT garantiu a importância da oitiva. “Pela primeira vez um agente público admite que tomou uma postura inadequada. Não resta dúvidas que o depoimento foi importante”, completou.

Durante a oitiva, Dobashi negou que tenha alguma participação na decisão de tentar impedir a vinda de aceleradores lineares para os hospitais Regional e Universitário. Segundo ela, as conversas gravadas pela PF (Polícia Federal), não influenciaram as suas ações, pois os hospitais citados estavam dentro do plano de extensão do Governo Federal juntamente com o Hospital Evangélico e o Hospital de Corumbá.

Quando questionada pelo vereador Alex do PT sobre a reunião que aconteceu no dia 11 de maio de 2012, onde o ex-secretário municipal de saúde Leandro Mazina, representando Dobashi, afirmou que Campo Grande não precisava dos aceleradores lineares nos hospitais públicos já que a cidade estava abastecida com os aparelhos do HC (Hospital do Câncer) e da Neorad, que atendia pela Santa Casa, Beatriz defendeu que essa foi uma decisão do próprio Mazina. “Não houve nenhuma deliberação pra isso. Se ele falou, foi por conta própria”, declarou.

Beatriz também alegou que faltavam recursos para instalar uma sala de radioterapia no HR (Hospital Regional), mas foi confrontada pelo vereador Alex do PT com a informação de que, na mesma época, o Governo do Estado liberou R$ 9,6 milhões para serem investidos no HC, além de fazer a doação do terreno, prédio e equipamentos. “Se você já tem sala, equipamento, estrutura, ao invés de reparado, foi aumentando o grau de sucateamento. O setor público foi abandonado. Não se investiu dinheiro do SUS (Sistema Único de Saúde) onde se deveria investir”, reclamou Alex.

Em sua defesa, Dobashi afirmou que o HR tem um custo mensal de R$ 12 milhões, dos quais apenas R$ 3,8 milhões são custeados pelo Governo Federal. “Quero deixar claro que nunca deixamos de investir no HR”, disse. Segundo ela, o que houve foi uma definição de prioridades. Já que o HR e o HU (Hospital Universitário) estavam no plano de extensão do Governo Federal, o HC era o próximo na fila de prioridades. “O Estado não escolheu em quem investir”, enfatizou.

A ex-secretária negou ainda que tenha alguma relação de amizade com Adalberto Siufi, proprietário da Neorad, empresa que teria sido favorecida com o sucateamento do setor de oncologia do HU, ou com José Carlos Dorsa, ex-diretor do HU, acusado de negligenciar o setor de oncologia do hospital.

Quebra de sigilo bancário

O vereador Coringa (PSD) solicitou aos membros da comissão a quebra de sigilo fiscal de Adalberto Siufi e de sua filha, Betina Siufi, para analisar se houve enriquecimento ilícito por parte dos proprietários da Neorad. A comissão ainda vai se reunir pra decidir se mantém o pedido, mas o vereador Alex do PT já sinalizou apoio à iniciativa de Coringa.

O depoimento de Beatriz marcou o encerramento das oitivas da CPI da Saúde. Agora os vereadores têm até o dia 18 de novembro para entregar o relatório final. Segundo o vereador Flávio César, os depoimentos prestados à CPI serão comparados com a análise documental.

Beatriz Dobashi foi convidada a depor, pois aparece em conversas telefônicas feitas pela PF (Polícia Federal) onde demonstra uma possível relação entre ela e o principal envolvido na Operação Sangue Frio, o médico Adalberto Siufi. Nas gravações ela procurava meios para que os equipamentos de radioterapia fossem entregues ao HC.