23 de outubro de 2020
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Em mês de decisão de conflito, líderes indígenas relatam dificuldades enfrentadas pelas comunidades

Perto de vencer o prazo acordado para que o governo federal emita um parecer que solucione de forma pacífica a disputa entre índios e produtores em Mato Grosso do Sul, lideranças indígenas apontam as dificuldades enfrentadas por eles diariamente nas aldeias do Estado.

Segundo Paulino Terena, representante da comunidade terena Moreira, que fica na região do município de Miranda-distante 203 km de Campo Grande-, o que mais preocupa os moradores do local é a educação das crianças. Ele relata que recentemente a administração do município afastou os professores formados que davam aulas para os mais de 800 alunos da aldeia, e em substituição foram colocados “professores” que nem ao menos concluíram o ensino médio.

“A educação está péssima e isso nos preocupa muito, como eles podem colocar alguém que nem o ensino médio tem, para dar aula para nossas crianças”, relata Paulino. Segundo ele, os representantes da aldeia já cobraram providências do MEC (Ministério da Educação), porém, até o momento nada foi resolvido. “Simplesmente não entendemos o porquê dessa atitude nem a demora pra resolver uma coisa que chega a ser falta de respeito com a gente”, disse.

O representante expõe também os problemas relacionados à saúde da comunidade, que recebe atendimento médico apenas uma vez na semana. “As viaturas são ruins e o atendimento é mal, o médico mal olha na sua cara diz que está tudo bem e que está sem tempo, sem falar na falta de medicamentos. Parece ser invenção, mas a saúde é precária”, conclui.

Da mesma forma que Paulino, o cacique Guarani Kaiowá, Genito Gomes, líder da aldeia Guaviry em Aral Moreira-distante 402 km de Campo Grande- relata o descaso por parte do poder público com as comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. “Tudo o que queremos é estar na terra onde nossos ancestrais morreram, e por conta disso somos menosprezados e tratados como povo inferior”, desabafa.

O cacique conta que a falta de espaço, saúde e educação são algumas das complicações da aldeia que ele representa. Ele afirma que a comunidade de 289 pessoas divide um espaço de aproximadamente 130 m². “Precisamos da ampliação de nossas terras para produzir, além disso, a saúde e educação estão complicadas. É preciso lembrar que onde tem criança deve ter saúde e educação de qualidade”, completa.

De acordo com o Senso do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicado no ano de 2010, aproximadamente 77.025 mil índios vivem em Mato Grosso do Sul.

 Clayton Neves