24 de outubro de 2020
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Erros cometidos por Ben Hur com dinheiro público levam MPE a pedir afastamento de Bernal

O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), foi, mais uma vez, jogado à fogueira devido aos erros cometidos pelo seu secretário municipal de planejamento, finanças e controle, Wanderley Bem Hur.

Na manhã, de hoje, foi publicado no Diário Oficial do MPE (Ministério Público Estadual), o pedido das três promotorias de patrimônio público (29ª, 30ª e 31ª) para que o prefeito seja afastado do cargo, assim como o secretário, devido a danos ao erário público no valor de R$110,4 milhões. O valor foi levantado pelo relatório do Daex (Departamento Especial de Apoio às Atividades de Execução do Ministério Público).

De acordo com os promotores Fabrício Proença de Azambuja, Alexandre Pinto Capiberibe Saldanha e Henrique Franco Cândia, o prefeito praticou atos de improbidade administrativa. No entanto, todas as irregularidades constatadas pelo Daex pertencem à secretaria de planejamento, controle e finanças, a Seplanfic, coordenada por Bem Hur.

O secretário, desde que assumiu o cargo em janeiro, tem colocado o prefeito em maus lençóis. Acerca de dois meses, por exemplo, os projetos de suplementação orçamentária enviados por Ben Hur à Câmara, tiveram que ser refeitos devido a grande quantidade de erros encontrados pela Comissão Permanente de Finanças e Orçamento da Câmara, presidida pela vereadora Grazielle Machado (PR).

Grazielle afirmou, na época, que o projeto de suplementação apresentava diversas irregularidades como a inclusão de orçamento para pagamento de pessoal. Segundo ela, dos R$ 108 milhões que o projeto inclui R$ 68 milhões é destinado ao salário dos funcionários. “Esses projetos apresentados, estão cheios de irregularidades. Não sei se por desconhecimento da administração ou por interesses um objetivo político”, acusa a vereadora.

A falta de preparo e de conhecimento do secretário ficou evidente quando, dias depois, ele enviou à Câmara o projeto orçamentário para 2014. Segundo ela, a fonte e os anexos dos relatórios estão sem identificação prejudicando o entendimento da peça orçamentária. Além disso, há erros no orçamento de todas as secretarias, prejudicando o andamento de diversos projetos como aqueles voltados à assistência social e à saúde.

Outro problema da peça orçamentária aconteceu com os anexos. A fonte e os anexos dos relatórios estavam sem identificação prejudicando o entendimento da peça orçamentária. Além disso, havia erros no orçamento de todas as secretarias, prejudicando o andamento de diversos projetos como aqueles voltados à assistência social e à saúde. Como se não bastasse todos esses erros, Ben Hur também errou no PPA (Plano Plurianual).

Além de cometer todos esses erros, Bem Hur tomou decisões à frente da secretaria que trouxeram graves prejuízos à administração de Bernal. Foi ele quem indicou ao prefeito a empresa Salute, que foi incluída depois na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Calote, para ser a fornecedora de alimentos ao município. Ben Hur é amigo pessoal do pai do proprietário da empresa.

Outro erro cometido por Ben Hur foi a falta de pagamento á empresa MDR. O secretário admitiu as irregularidades praticadas por ele no pagamento de empresas como a MDR Distribuidora de Serviços. Ben Hur confessou infração administrativa, dando sustentação à denúncia de emergência fabricada, que originou o processo que pode levar à cassação Bernal.

Diante de todas as práticas equivocadas do secretário, o MPE analisou e entendeu que ele, e por consequência Bernal, praticaram atos que podem ser entendidos como improbidade administrativa, o que pode levar o prefeito à cassação. Essa não é a primeira vez que Ben Hur quase derruba um prefeito de sua cadeira.

Quando ele foi secretário de finanças em Rio Verde de Mato Grosso, Bem Hur fez parte do esquema de desvio de verba que ficou nacionalmente conhecido como a "Máfia da Carne". A organização criminosa como definiu o MPF (Ministério Público Federal) na época, era liderada pelo Frigorifico Margen com sede em Rio Verde. Segundo MPF, foi montada uma quadrilha para sonegar impostos, subornar servidores públicos estaduais, federais e lavar dinheiro, depois do escândalo, o secretário foi exonerado.