26 de setembro de 2020
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QUEIMA DE ARQUIVO

Ex-capitão miliciano executado; mãe e esposa são pontas soltas?

Ex-capitão homenageado por Flávio Bolsonaro foi morto em ação da polícia da Bahia

EDITORIAL - Adriano Magalhães da Nóbrega, o ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais da PMRJ, suspostamente foi morto após troca de tiros com a polícia em Esplanada, no interior baiano, na noite de ontem (9). Restam dois outros alvos, Raimunda Veras Magalhães, e a mulher, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, essas, no passado, lotadas ao cargo CCDAL-5, com salários de R$ 6.490,35. Segundo o Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro, ambas foram exoneradas a pedido no dia 13 de novembro de 2018. Após ser revelado a existência do Escritório do Crime em agosto do ano passado. A confusão respingou no gabinete de Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro. Flávio classificou ser "uma campanha difamatória contra ele para atingir seu pai", em resposta por meio de nota na época.  

O ex-capitão era suspeito de comandar o Escritório do Crime, a milícia da comunidade de Rio das Pedras, no Rio. Era também ligado à família do presidente Jair Bolsonaro — sua mãe e ex-mulher trabalharam no gabinete da Assembleia Legislativa de Flávio, o filho Zero Um. Nóbrega tinha consciência de que o Bope baiano se aproximava. Conforme a polícia da Bahia, horas antes do cerco, ele já havia fugido de uma fazenda para se esconder na chácara de Gilsinho da Dedé, um vereador local filiado ao PSL. De acordo com a versão oficial, um policial arrombou a porta da casa e Adriano respondeu com fogo. Atingido por dois tiros, foi levado ao hospital com vida mas não sobreviveu.

As redes sociais reagiram, por tratar-se de um esconderijo visado, grande parte dos internautas apostam em queima de arquivos, já que um depoimento de Adriano poderia comprometer os Bolsonaros.

Ao seu advogado, Paulo Emilio Catta Pretta, Adriano disse na quarta-feira, por meio de ligação, que ele estava aflito e que tinha certeza que a polícia que estava atrás dele não era para o prender e sim o matar.

Suspeito de ligação com o assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, o executado é citado em duas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro. E também por participação na rachadinha do gabinete de Flávio Bolsonaro — o esquema Queiroz.

Com a morte do ex-capitão, afastam-se ainda mais as possibilidades de revelar quem foi o verdadeiro mandante do assassinato de Marielle e Anderson. O partido PSOL pediu esclarecimentos sobre a execução de Adriano.

Adriano já havia sido preso por homicídio em 2005, crime ao qual mais tarde foi absolvido. Durante o tempo de cadeia, ainda preso, ele foi homenageado por Flávio Bolsonaro, com uma Medalha de Honraria; a Medalha Tiradentes, a mais alta homenagem oferecida pela Assembleia do Rio de Janeiro. 

Ainda em 2005, o próprio Jair Bolsonaro chegou a defender Adriano contra acusações durante discurso na Câmara quando Bolsonaro era deputado federal.

Não a toa a reação dos internautas, já que a ligação da família presidencial com o miliciano vão mais longe, tendo em vista que a mãe e a esposa de Adriano, trabalharam no gabinete de Flavio Bolsonaro, e duas pizzaria, geridas pela mãe de Adriano teriam sido usada para repassar R$ 203 mil ao ex-assessor de Flávio, o Fabrício Queiroz, que foi literalmente escondido, durante a revelação do esquema que é conhecido como ‘rachadinha’.

Por mais estranho que pareça, onde estava escondido Adriano era de Gilsinho da Dedé, o vereador do PSL, esse, negou conhecer Adriano e também disse que o terreno teria sido invadido pelo ex-capitão.

O que sobra agora são duas pontas soltas que dificilmente os envolvidos vão conseguir amarrar, a mãe e a mulher de Adriano, como silenciá-las? Já estão compradas ou amedrontadas? Os próximos episódios podem ser decisivos caso mãe e esposa de Adriano se revoltem contra seus algozes.