A nova fase da Operação Compliance Zero colocou o Palácio do Planalto diante de uma oportunidade política acompanhada de risco institucional.
Enquanto o governo avalia a possibilidade de reforçar o discurso de combate à corrupção, integrantes da equipe também demonstram preocupação com o alcance das investigações, que podem avançar sobre áreas sensíveis, incluindo o sistema de Justiça.
Nesse cenário, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) articulou, junto ao Ministério da Justiça, a realização de uma coletiva com diretores da Polícia Federal. A iniciativa contrasta com a postura mais recente do governo, que vinha tratando com cautela operações com potencial de desgaste político.
A avaliação de interlocutores é que o perfil do caso pesou na decisão. A operação envolve valores elevados, agentes do alto escalão do sistema financeiro e suspeitas relacionadas a um banco público.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva consideram que a exposição pode contribuir para fortalecer o discurso de enfrentamento aos chamados crimes de colarinho branco.
Dentro do governo, porém, a estratégia não é consenso.
Parte dos auxiliares avalia que a ampliação da visibilidade pode trazer efeitos colaterais, sobretudo se a investigação atingir novos nomes ou setores. Há ainda o cuidado com eventuais citações indiretas a integrantes do Judiciário.
A leitura é de que apurações desse porte tendem a se expandir gradualmente, o que dificulta prever seus desdobramentos.
Apesar das ressalvas, integrantes da equipe defendem que a divulgação das ações da Polícia Federal reforça a percepção de autonomia das investigações e de compromisso institucional com o combate à corrupção.











