30 de setembro de 2020
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A CADA DIA

Flávio Bolsonaro cada vez mais perto das barras da Justiça

Filho mais velho do presidente, enrola-se mais e mais com a Justiça e fica muito perto de uma condenação por corrupção, lavagem de dinheiro ou mesmo de improbidade administrativa

A cada dia que passa, o senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do presidente, enrola-se mais e mais com a Justiça e fica muito perto de uma condenação por corrupção, lavagem de dinheiro ou mesmo de improbidade administrativa. Basta ver os detalhes divulgados pelo Ministério Público e pelo juiz Flávio Itaboana, do Rio de Janeiro, sobre a movimentação financeira de seu ex-motorista Fabrício Queiroz, sua mulher e filhas, milicianos que circulam ao seu redor, além da contabilidade do próprio Flávio Bolsonaro, que é pra lá de suspeita, repleta de inconsistências e de situações que, em condições normais de pressão e temperatura, levariam qualquer cidadão comum às barras da Justiça ou mesmo estreitariam o caminho rumo a uma condenação. Muitos desses dados surgiram após a quebra de sigilo bancário de 90 pessoas, entre elas Queiroz, ligadas ao filho do presidente. A batata da família real brasileira está assando.

O primeiro foco de problemas para Flávio Bolsonaro e sua mulher Fernanda vem da loja de chocolates num shopping na Barra da Tijuca. Os dois não tinham recursos suficientes para investirem R$ 1 milhão na loja, além do fato de que parte do capital foi integralizado com dinheiro vivo, uma coisa que, sabe-se, é oriunda de lavagem de dinheiro ou coisa similar. Mais do que isso: a loja deu um lucro de 82% superior ao relatado oficialmente. Mas tem ainda a questão dos negócios imobiliários de Flávio. Ele comprou dois apartamentos subfaturados, preços baixíssimos, de um grupo de americanos, e depois os revendeu por preços superfaturados, com um lucro enorme. Na verdade, Flávio Bolsonaro comprou e vendeu 19 imóveis nos últimos anos, com os quais movimentou R$ 9 milhões, ganhando limpinho R$ 3 milhões com as operações, apesar de ter declarado em 2018 que só dispunha de bens no valor de R$ 1,7 milhão. No mínimo, lesou o fisco.

Fora isso, Flávio Bolsonaro tem relações muito suspeitas com os milicianos do Rio, cuja ponte é feita com o ex-PM Fabrício Queiroz, seu ex-motorista e “faz-tudo” no então gabinete na Assembleia Legislativa no Rio. Queiroz movimentou R$ 7 milhões nos últimos tempos, dos quais R$ 2 milhões só de dinheiro que ele recebeu de funcionários do gabinete de Flávio na Assembleia. Parte desses valores, movimentada em dinheiro vivo, pode ter ido parar na conta de Flávio, já que o MP do Rio constatou que o senador fez dezenas de depósitos em suas contas em dinheiro vivo. A suspeita é de que o dinheiro recebido por Queiroz, retirado em espécie de suas contas, possa ter sido depositado, também em espécie por Flávio. E mais, Queiroz depositou até mesmo dinheiro na conta da Michelle Bolsonaro, a primeira-dama. Bolsonaro diz que foi um dinheiro que ele emprestou a Queiroz, de quem é amigo de pescarias há 45 anos. Queiroz, como se sabe, tem, cada vez mais, estreitas ligações com os milicianos cariocas. Basta lembrar que o gabinete de Flávio empregava a mãe e a ex-mulher do capitão Adriano Magalhães, chefe do “escritório do crime”, que vem a ser o comando da milícia no Rio, em contratações comandadas por Queiroz. Ele diz que Flávio não sabia, mas o então deputado estadual prestou homenagem aos milicianos cariocas com medalhas Tiradentes na Assembleia fluminense. Por essa e por outras é que a situação de Flávio Bolsonaro agrava-se dia a dia, deixando seu pai com o equilíbrio emocional cada vez mais alterado.

Em anexo, ouça o áudio de um comentário feito pelo jornalista Carlos Andreazza na Rádio BandNews, em parceria com o jornalista Eduardo Barão, na última segunda-feira, ao falar sobre o vídeo que o senador Flávio Bolsonaro gravou para se defender das suspeitas que são lançadas contra ele.