22 de junho de 2021
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Editorial

Menos manifestantes e mais acirramento anti-PTista, marcaram o 12 de abril

Dos quase 50 mil manifestantes que tomaram a Av. Afonso Pena em 15 de março, agora eram pouco menos de 19 mil; se a palavra de ordem pedia o fim da corrupção, agora o pedido era o fim do PT.

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Na hora programada para o início da caminhada de manifestação realizada ontem (12), o público era tímido em quantidade e disposição. Às 16 horas, pouco mais de 3.000 pessoas havia chegado à Praça do Rádio e nitidamente estava pouco à vontade com alguns discursos inflamados que destilavam um ódio direcionado ao PT, que muitos dos manifestantes repudiam no próprio PT quando este se refere à classe média e àqueles que pedem o impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Ainda que tivessem ótimas intenções, os movimentos “Chega de Impostos” e “Pátria Livre” colocaram uma pauta de reivindicação, o que, no imaginário popular deve ter tomado a forma de coordenação. O movimento é anárquico em seu sentido mais contundente de “uma sociedade ideal em que o bem comum resultaria da coerente conjugação dos interesses de cada um”. Longe, portanto, de qualquer apropriação que grupos ou correntes possam pretender.

Ainda que o contingente de aproximadamente 18.000 pessoas não seja desprezível, e ainda também que os caminhões de som convocassem a população para a pauta de reivindicação dos movimentos que organizaram a marcha; Extinção do PT, Transparência nos empréstimos do BNDES, Investigação do envolvimento da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos escândalos de corrupção, afastamento do ministro Dias Toffoli no julgamento da Operação Lava Jato e Não à Reforma Política do “PT, CNBB e OAB”; o que se ouvia da população que evitou repetir as palavras de ordens vindas dos caminhões de som, era o clamor pelo fim da Corrupção, independente de qual partido a promova ou com ela esteja envolvido, e a moralização da coisa pública. Transparência dos atos e ações dos três poderes, ética com a coisa pública.

Como comentou a jornalista Cristina Lôbo, em sua coluna no site G1, sob o título Menos gente e mais atenção, “Se teve menos gente na rua, a pesquisa Datafolha mostrou que os brasileiros que estão em casa ainda estão descontentes e que a maioria (63%) defende o impeachment da presidente Dilma Rousseff. (…) Palavras de ordem como "fora PT" repetidas em várias capitais incomodam, sem dúvida, os petistas. Até porque, ao longo de sua história, cabia ao PT as mobilizações de rua - sem adversários neste campo, até então.”


(Gráfico G1)

Pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha entre os dias 9 e10 de abril, mostram que a aprovação à presidente Dilma manteve um índice de aprovação (ótimo e bom) de 13%, mesma avaliação em levantamento realizado em março, após as manifestações. O resultado foi: Ótimo/bom, 13%; Regular, 27%, Ruim/péssimo, 60%; Não souberam, 1%.

Apesar dessa avaliação, o governo Dilma pode comemorar o fato de sua popularidade ter parado de cair. Mas, as pesquisas apontam um dado preocupante em relação à economia.

Apesar de a avaliação positiva do governo continuar no que é considerado seu ponto mais baixo desde o início do seu primeiro mandato, em 2011, os números mostram, porém, que a popularidade da presidente parou de cair. O Datafolha apontou que seguem estáveis, mas em patamares negativos, as expectativas para a economia: 78% acreditam que a inflação deverá subir; 70% acreditam que o desemprego vai aumentar, e 58% que a situação econômica do país deve piorar.

Avaliações das Manifestações (Com informações G1)

Aécio Neves, presidente nacional do PSDB: “O PSDB se solidariza com os milhares de brasileiros que voltaram às ruas e ocuparam as redes sociais para, mais uma vez, legitimamente, manifestar seu repúdio e indignação contra a corrupção sistêmica que envergonha o país e cobrar saídas para o agravamento da crise econômica. Além da crise ética e moral, o governo do PT impõe à sociedade a pior equação: recessão com inflação alta, juros altos e corte de investimentos nas áreas essenciais da educação e saúde."

Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República: “o fato de as manifestações terem reunido menor número de pessoas não significa que elas têm menor importância. (…) o governo precisa identificar quais são estas reivindicações e atender estas reivindicações. É isso que o governo está fazendo".

José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara: “A presidente Dilma está calcada em 54 milhões de brasileiros que a reelegeram (...) Essa ideia de impeachment não encontra legitimidade e nem ao menos elementos jurídicos para a sua concretização."

Marina Silva, ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente: "Menos gente nas ruas não significa menor insatisfação; ao contrário, pode até significar um aumento da desesperança, o represamento de uma revolta que pode retornar mais forte depois de algum tempo (...) O governo não está em crise, ele é a crise.”

?Sibá Machado, deputado (AC), líder do PT na Câmara dos Deputados: "Pode não ter uma terceira edição (dos atos). (…) A reestruturação da Petrobras e mudança na articulação política, com a entrada de Michel Temer podem ter levado menos pessoas às ruas.”

Para finalizar, que se tenha em mente as palavras do jurista Paulo Brossard, morto nesse domingo (12), senador durante a Ditadura Militar, ministro da Justiça no período de transição democrática (governo Sarney), ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE):

“Democracia neste país é relativa, mas a corrupção é absoluta”