26 de setembro de 2020
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VIOLÊNCIA

Ministro da Educação chama Lula de '9 dedos', qual a punição?

A violência contra a pessoa com deficiência pode atingir todo o leque de direitos fundamentais, principalmente a educação e a saúde física e psicológica, diz estudo

EDITORIAL -  Uma das características que Jair Bolsonaro mais admira em Abraham Weintraub, o ministro da Educação, é o seu “viés ideológico” e a forma rude como ele trata o petismo. Ele se refere ao ex-presidente Lula como o “Nove Dedos”. Xinga o ex-presidente petista de “sicofanta” (patife, impostor).

Em setembro de 2018, numa transmissão ao vivo pela internet, o agora ministro da Educação insinuou que o programa de governo de Bolsonaro romperia paradigmas. Para enfatizar seu ponto de vista, evocou Lula: “Como diria o Nove Dedos, nunca antes na história republicana se discutiu esse tipo de coisa. ”

O ministro da Educação também sustentou a tese segundo a qual universidades do Nordeste não deveriam oferecer cursos de disciplinas como sociologia e filosofia. Acha que a prioridade deveria ser o ensino de agronomia, em parceria com Israel.

Abraham Weintraub revelou-se obcecado pelo comunismo. Ao responder sobre reforma da Previdência, tema do qual se ocupava na equipe de transição de governo, ele declarou: "A reforma está sendo propositalmente escondida, para evitar tiroteio desnecessário antes. Mas ela está bem avançada…" Nesse ponto, o orador emendou, do nada, uma teoria que acomoda "comunistas" nos locais mais insuspeitados: "A gente não chegou nessa situação porque os comunistas são pobres. Os comunistas estão no topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios".

“Em Israel, o Jair Bolsonaro tem um monte de parcerias para trazer tecnologia aqui para o Brasil”, declarou. “Em vez de as universidades do Nordeste ficarem aí fazendo sociologia, fazendo filosofia no agreste, [devem] fazer agronomia, em parceria com Israel. Acabar com esse ódio de Israel. Israel, nas faculdades federais, é loucura o que você escuta, né? ”

O Juiz de Direito aposentado, Professor e Escritor, João Baptista Herkenhoff, apresentou a posição mais sincera sobre como reagir a tal ato criminoso praticado pelo ministro. 

“Não importa a data em que essa imbecilidade foi proferida. Será sempre oportuno rechaçar a ignomínia. É inaceitável que alguém se refira a uma pessoa, qualquer que seja essa pessoa, mencionando um problema físico, seja a ausência de um membro ou mesmo uma paralisia”, opinou. 

Conforme Batista, quando o autor da chacota é o Ministro da Educação. “Todas as pessoas de caráter, favoráveis a Lula ou contrárias a Lula, não podem omitir o justo protesto”, salientou. 

“Mesmo que o Ministro esteja empenhado em deseducar o povo, há um limite que não pode ser transposto”, finalizou.   

A violência contra a pessoa com deficiência pode atingir todo o leque de direitos fundamentais, principalmente a educação e a saúde física e psicológica, explica estudo elaborado pelas autoras, Maria Aparecida Gugel e Iadya Gama Maio são as presidente e vice-presidente da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público de Defesa dos Direitos dos Idosos e Pessoas com Deficiência (AMPID).

“O Estado está obrigado a prevenir e enfrentar a violência, mais agravada contra a pessoa com deficiência em vista do estigma. A Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) concernente aos Direitos das Pessoas com Deficiência impõe ao Estado e à sociedade tratarem da prevenção contra a exploração, a violência e o abuso de pessoas, tanto dentro como fora do lar”, detalha o estudo.

No entanto, quando o próprio estrado pratica esse crime, qual é a punição?