22 de setembro de 2020
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BLINDADO

Moro quer caso Marielle na PF e assume encontro com Guedes durante eleição

Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro disse ser um disparate o envolvimento do nome do presidente e que testemunha pode ser fraudulenta

Em entrevista à rádio CBN, nessa manhã (21), o ministro Sérgio Moro indicou a federalização das investigações do caso Marielle Franco e Anderson Gomes, essa que está sob jurisdição da Polícia Civil e apontou o nome do presidente por meio do depoimento do porteiro do condomínio, onde Jair Bolsonaro e a família tem apartamentos no Rio de Janeiro. Segundo Moro, para ele, a investigação sofre fraude o que poderia ser melhor apurado pela Polícia Federal. 

“Há 'um possível envolvimento fraudulento do nome do presidente”, disse Moro ao Jornal da CBN. “O envolvimento do nome do presidente é um disparate”, disse o ministro de Jair Bolsonaro. De acordo com o ministro, a testemunha pode ser implantada e caso é politizado.

O ministro de Bolsonaro, afirmou ainda que no passado, já havia sido implantada uma testemunha falsa no processo para desviar o curso das investigações em relação aos verdadeiros assassinos e mandantes e que isso foi resolvido através de investigação da Polícia Federal. "Vendo esse novo episódio, em que se busca politizar a investigação indevidamente, a minha avaliação é que o melhor caminho para que possamos ter uma investigação exitosa é a federalização”, opinou. 

Com a família Bolsonaro sendo envolvida cada vez mais ao processo, Moro justificou que a Polícia Civil não chega a uma reta final na investigação. "Não é um demérito das autoridades estaduais, mas é uma avaliação objetiva de que o melhor para esse caso seja a federalização”. 

Questionado sobre a denúncia feita pelo ex-aliado, Gustavo Bebianno, de que Bolsonaro havia feito o convite ao Ministério da Justiça enquanto ele ainda julgava casos do PT, Moro alegou que só se encontrou com Bolsonaro para definir sua participação no governo depois do resultado das eleições. Mas na ocasião, assumiu ter contato anterior com Paulo Guedes, ainda durante o segundo turno das eleições. Ao programa de rádio, Moro revelou que Guedes queria apenas sondá-lo para saber qual seria sua reação caso fosse convidado a ser ministro.

Sobre as duras críticas realizadas por Lula, o ministro afirmou que "o ex-presidente faz parte do meu passado" e que não quer entrar em bate-boca, mas destacou que todo político processado se disse vítima de corrupção. "É muito fácil dizer que é perseguição política, difícil é explicar os fatos", afirmou.

*Com informações da CBN