30 de novembro de 2020
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FATOR COVID-19

Na mexida do tabuleiro, Marquinhos é maior beneficiário, mas não comemora

Prefeito está mais preocupado com índice baixíssimo de adesão popular ao isolamento social amplo na cidade

Encerrado no último dia quatro o prazo de mudança partidária para quem pretende ser candidato às eleições municipais deste ano, a ciranda das filiações em Campo Grande permite uma visualização mais nítida do tabuleiro político-eleitoral que será montado até à abertura do processo sucessório. No troca-troca de siglas, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) saiu como o maior beneficiado, com a ampliação das cadeiras pessedistas e das forças aliadas na Câmara Municipal.

Apesar disso, Marquinhos Trad esquivou-se de repercutir e até de comemorar o fato. A sua atenção está centrada, e com olhar cada dia mais preocupado, no comportamento da população diante da pandemia do Covid-19. Neste final de semana, a sua preocupação se agigantou, com a constatação oficial de que, proporcionalmente, Mato Grosso do Sul, é o estado que apresenta o pior desempenho de adesão popular ao amplo isolamento social e Campo Grande uma das cidades ancoradas nesse enquadramento estatístico.

Com apenas 47,7% de adesão popular ao distanciamento social amplo – cerca de 20% abaixo do patamar mínimo de segurança nesse momento -, Campo Grande tinha até o último sábado mais da metade (51 de 101) dos casos notificados de contaminação com o coronavírus em Mato Grosso do Sul.

Diante desses dados, Marquinhos manifestou a intenção de retomar o rigor das medidas restritivas que editou, suspendendo as atividades econômicas e com o toque de recolher. O comércio então reabriu parcialmente no início da Semana Santa - e o que se viu foi muitas pessoas pelas ruas ou enfileiradas nos supermercados, praças e estabelecimentos comerciais, grande parte sem peças individuais de proteção, como máscaras e luvas. O toque de recolher, cujo início havia sido alterado para 22h, deve voltar a valer a partir das 20h.

Na sexta-feira, 9, na companhia do secretário municipal de Saúde, José Mauro Filho, o prefeito inaugurou o Polo de Atendimento no Parque Ayrton Senna, a unidade especial criada em parceria entre a Prefeitura e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para prestar assistência e acolher até 800 pacientes do coronavírus por dia. No entanto, Marquinhos e o secretário sabem que não bastam as ações do poder publico se não houver a adesão maciça da sociedade ao isolamento amplo, que significa, sobretudo, ficar em casa.

FORA DE FOCO

Com a prioridade voltada exclusivamente para a prevenção e o combate à pandemia, Marquinhos Trad não quer nem saber de conversa sobre política e eleições. É um assunto que, para ele, está fora de foco. O prefeito está coberto de razão, o que não impede seu partido e aliados de avaliarem como será o panorama sucessório depois que a crise de saúde passar.

Com as mudanças permitidas pela “janela” partidária, a distribuição das cadeiras na Câmara Municipal ficou assim: PSDB (8 vereadores); PSD (5); MDB (3), Avante (2), DEM (2), PSB (2), Republicanos (2), PT (1), Solidariedade (1), Rede (1), PTB (1) e PP (1). Em princípio, os partidos de apoio à reeleição de Marquinhos Trad somam hoje 18 dos 29 vereadores, sendo cinco do PSD, oito do PSDB, dois do DEM, dois do PSB, um do Republicanos. Ainda assim, existe uma forte expectativa sobre qual o caminho a ser escolhido pelos tucanos.

O governador Reinaldo Azambuja já disse que pretende cumprir o compromisso pessoal com Marquinhos, retribuindo o apoio que recebeu do prefeito em sua reeleição. Porém, uma resolução nacional decidiu que o PSDB deve disputar as prefeituras das capitais e nas cidades com mais de 100 mil eleitores. É possível que esta decisão abra exceções nos municípios de prefeitos eleitos ou reeleitos com apoio dos social-democratas.

A maioria dos outros partidos campo-grandenses está dividida entre bater chapa na disputa majoritária ou lançar candidaturas à Câmara Municipal. Há pré-candidaturas anunciadas pelo MDB (o deputado estadual Márcio Fernandes); PP (o advogado e ex-presidente da Santa Casa, Ezacheu Nascimento); PTB (o pecuarista e ex-secretário Paulo Mattos); Podemos (o empresário Sérgio Murilo); Avante (o procurador de Justiça Sérgio Harfouche); PT (o deputado estadual Pedro Kemp); PSL (o deputado estadual Capitão Contar); Solidariedade (o ex-secretário estadual de Infraestrutura, engenheiro Marcelo Miglioli); PCdoB (o advogado Mário Fonseca); Novo (o empresário Guto Scarpanti); PV (o engenheiro e ex-vereador Marcelo Bluma).  

O PDT tinha dois vereadores e ficou sem nenhum no troca-troca partidário. Tem como alternativa para eventual ingresso na corrida sucessória o deputado federal Dagoberto Nogueira. Existe também a possibilidade, já aventada, de o palanque pela reeleição de Marquinhos Trad ganhar a presença de outros partidos, inclusive de fora de sua atual base de sustentação.