21 de junho de 2021
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Resenha Política / Campo Grande

Olarte levantou a bola do PMDB e a semana foi de temperatura alta

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A semana começou com um grito de liberdade que ecoou a partir de Brasília e pretende dotar o PTdoB de Mato Grosso do Sul de nova postura. Conhecido como “peemedebezinho”, o partido sempre esteve ligado ao ex-governador André Puccinelli a quem obedeceu e a quem deve a eleição de muitos de seus parlamentares no estado.

O deputado estadual Márcio Fernandes teve seu nome lançado como pré-candidato à prefeitura de Campo Grande, pelo presidente nacional da legenda e deputado federal Luiz Tibé (MG), e causou tumulto entre os outros parlamentares do partido, especialmente os representantes na Câmara Municipal da Capital, Eduardo Romero, Flávio César e Otávio Trad, que sentiram suas posições apequenadas.

Entre indas e vindas, desmentidos e explicações, os ânimos serenaram e o embate foi adiado para os próximos dias quando, reunidos, definirão o nome daquele que concorrerá à prefeitura da Capital nas eleições de 2016, e que será conhecido e deverá iniciar a pré-campanha a partir de maio deste ano.

Ainda 2016

O céu de Brigadeiro que domina a política não representa quietude, até pelo contrário, significa que a ausência de nuvens diz que não existem nomes de peso político para tornar as próximas eleições sequer interessantes. O que poderá torná-la atraente é exatamente a dúvida, a incerteza de nomes pouco cotados e que venham a dar novos rumos para a velha política local. Exatamente como aconteceu com as vitórias eleitorais recentes de Alcides Bernal (PP) para a prefeitura da Capital e Reinaldo Azambuja (PSDB) para o governo do Estado. Pouco cotados, venceram.

Retoma a eleição de 1996 quando os inesperados André Puccinelli e Zeca do PT deixaram na poeira os tradicionais Wilson Barbosa Martins e Pedro Pedrossian que comandaram o trajeto político do Estado, desde antes de seu nascimento. Hoje, André/PMDB e Zeca/PT são os senhores de eleições que são confrontados pelas novas lideranças.

Mas, quais serão os nomes? Talvez Alcides Bernal (PP), como resposta a cassação com jeito e cheiro de golpe; ou Rose Modesto (PSDB) em ascensão política e eleitoral, mas que já declarou não ter pretensões de deixar a vice-governadoria para assumir a prefeitura – mas isso ela dizia quando seu nome era lançado na mídia como pretensa candidata a vice-governadora na chapa de Reinaldo Azambuja; Antônio João (PSD) e sua gangorra política de ser o melhor amigo e aliado para num segundo momento tornar-se o pior inimigo e opositor de tantos quantos tiveram ligação política com o ele; Dagoberto Nogueira PDT), que empresta força política e faz estranhas alianças para amealhar votos no interior do estado mas tem pouca força na Capital; ou ainda alguma surpresa, agradável ou não. Mas a questão maior reside nos dois maiores partidos e forças oponentes: PMDB e PT., com nomes de pouca expressão e volume eleitoral na Capital.

A Câmara

As críticas às diversas secretarias do governo municipal da Capital deram o tom da semana, do mês, e deixaram entrever nas entrelinhas o cansaço, desconforto e desconfiança que sentem em relação ao apoio que tem dado ao governo de Gilmar Olarte (mantido no PP por força de liminar). A situação do prefeito é tão constrangedora que mesmo tendo colocado seu nome à disposição de convites para integrar qualquer dos partidos, não recebeu uma sondagem sequer.

Se o vereador Paulo Pedra (PPS) pontuou a arrogância do secretário de Segurança Pública de Campo Grande, Valério Azambuja, que extrapola os deveres da Guarda Municipal e, ao mesmo tempo, deixa de cumprir funções básicas daquela corporação, e a vereadora Luiza Ribeiro insiste que se respeite aquela Casa de Leis e mantenham um diálogo mais efetivo por parte do executivo, com os vereadores, explicando o excesso de contratações, as contas do tapa buracos etc., todos os vereadores começam a cobrar ações por parte do prefeito e seu secretariado, que lhes permita um mínimo de defesa para quem vem crescendo em reprovação perante os eleitores.

Nesse caso a resposta foi imediata e o recado escrito em letras garrafais: A Câmara derrubou os 48 vetos do prefeito.

A Cultura, sem comando, mas sob a gestão de Juliana Zorzo, conseguiu cometer tantos e tão graves erros que tirou de foco os problemas na Seintrha (Secretaria Municipal de Infraestrutura, Transporte e Habitação) comandada por Valtemir Alves de Brito, o Caco, que tem sido comentado nos becos e botecos, ser o administrador de fato de Campo Grande, tal a força que o mantém no cargo.

E a secretária da pasta, Juliana Zorzo, que não enfrentou os representantes culturais do município, convocou, na quinta-feira, uma coletiva de imprensa para explicar o inexplicável, mas esse ímpeto de agir como secretária da administração pública durou menos de 24 horas. A mesma Juliana Zorzo, sob alegação de que é preciso resolver “questões administrativas”, cancelou a coletiva de imprensa.

Explorando o limite da paciência dos vereadores, o secretário Valtemir Brito, o Caco, da Seintrha, será novamente convidado a comparecer à Câmara Municipal de Campo Grande, perante a Comissão Permanente de Obras e Serviços Públicos, a pedido de seu presidente, Carlos Augusto Borges (Carlão – PSB), para prestar esclarecimentos sobre documentos entregues à Casa e que tem itens não claros ou não compreendidos.

Para grande parte dos vereadores, Valtemir Brito vem tratando a Casa sem a devida responsabilidade. Primeiro por ter aceitado vir a uma “reunião” sem dados e demonstrando total desconhecimento a respeito dos serviços desenvolvidos em sua pasta, segundo por não ter obedecido aos prazos iniciais de entrega da documentação e, agora por ter entregue um volume imenso de documentos, de forma mal elaborada.

Olarte que tem alguma notoriedade como recitador da Bíblia e cantor de hinos e, assim, arrebanha perdidas ovelhas para seu rebanho, não parece competente para funções que exijam conhecimento, criatividade e organização, além de cultura, mas isso lhe é totalmente desconhecido e, portanto, faz questão de menosprezar. Até mesmo na Assembleia Legislativa repercute de forma negativa a tentativa de Olarte em administrar a Capital.

“Campo Grande vive um momento de descaso do executivo municipal com a população em todos os sentidos, a cultura é somente um dos exemplos. É vexatória a postura do executivo, estão gozando com a cara da cultura. O prefeito Gilmar Olarte virou um ator, ele tá representando”, disse o deputado Beto Pereira (PDT).

Ocaso do clã Trad

Pois quem tem rompido o seu sonho de conquistar a prefeitura é o deputado Marquinhos Trad, tantas lhe fez o irmão ex-prefeito Nelsinho Trad e tantos empecilhos políticos lhe coloca pela frente o ex-governador André Puccinelli. E quando tudo parece que vai mal, o Universo conspira e a coisa vai pro brejo, mesmo. Nada pior para o deputado-pré-candidato do que a proibição da coligação proporcional. Terá que deixar o ninho peemedebista para conseguir se lançar candidato, mas qual partido lhe daria condições de vitória é a questão que lhe tira o sono.

Crescimento de Mario Cesar

Entre tantas baixas, quem vem crescendo é o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Mario Cesar (PMDB) que tem demonstrado incrível capacidade de contornar a crise que se abate sobre a Prefeitura. Com diplomacia e postura decidida tem enquadrado Olarte e evitado que se manche a imagem da Casa que preside. Foi fulminante em sua fala quando o incêndio parecia querer se alastrar no legislativo municipal:

“Somos a base de apoio de Campo Grande, antes de sermos aliados ao Prefeito”, definiu o presidente da Câmara, deixando evidente que se Olarte não cobrar competência de sua equipe, poderá ficar isolado. A derrubada de todos os vetos do prefeito na sessão de ontem são uma amostra clara de dissonância entre os dois poderes municipais.

A Ação Propositiva visa dar maior agilidade para a resolução dos pequenos problemas que se avolumam. “Não vamos sequer cobrar projetos mais elaborados, mas temos que ter uma solução para os problemas que, ainda que pequenos, prejudicam de forma direta a população. Estamos estendendo a mão para o Executivo e prontos a auxiliar naquilo que for necessário. Pretendemos manter as críticas e fazê-las de forma construtiva. Esperamos que dessa forma a Capital consiga ter atendidas suas necessidades básicas”, disse Mario Cesar.