25 de novembro de 2020
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NACIONAL

Sem Trump, Bolsonaro se isola no mundo enfrentando a ciência médica

Bolsonaro adota a posição buscando se aproximar do sentimento da população mais pobre

O presidente Jair Bolsonaro achou por bem deixar o Alvorada, cedo no domingo, para passear por um mercado aglomerado de Ceilândia, cidade satélite de Brasília. Depois, seguiu para Taguatinga, também nas proximidades do Plano Piloto, e depois Sobradinho. Em ambos os lugares, insistiu em duas mensagens. “A hidroxicloroquina está dando certo em tudo quanto é lugar”, afirmou o presidente. Ainda em testes, e não recomendado para uso generalizado sequer pelo Ministério da Saúde do Brasil, é uma das drogas exploradas para tratamento do novo coronavírus. “Esse isolamento horizontal”, seguiu, “se continuar assim, com a brutal quantidade de desemprego que teremos pela frente, teremos um problema seríssimo que vai levar anos para recuperar.” O presidente tem em mãos pesquisas internas, de acordo com apuração do Poder 360, que sugerem apoio nas camadas mais humildes da população, que temem a falta de receita por conta da quarentena. 

Com ampla repercussão negativa, o Twitter achou por bem apagar os posts da conta do presidente divulgando seu passeio.

As redes sociais estão particularmente atentas a mensagens que provoquem desinformação neste período. Mas é a primeira vez que o presidente brasileiro é claramente marcado como um agente de desinformação em sua rede favorita. Antes, apenas o venezuelano Nicolás Maduro havia tido posts apagados, segundo o Painel, da Folha.

No sábado (28.março), o ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, que se portou de forma hesitante ao longo da semana, tornou à ênfase anterior. “Daqui a duas semanas, três, os que falam ‘vamos fazer carreata’ são os mesmos que ficarão em casa”, disse em entrevista coletiva. “Não é hora. Se sair andando todo mundo de uma vez, vai faltar atendimento para rico e pobre.”, alertou o ministro. 

Mandetta ainda não comentou o passeio de Bolsonaro, em rompimento à quarentena. “Ele vai manter a posição da ciência, mesmo que isso signifique a sua demissão”, ouviu Gerson Camarotti de um aliado, segundo o G1.

“Cada vez mais desgastado, Bolsonaro decidiu abraçar o discurso de defesa da economia para tentar obter apoio de setores do empresariado e do mercado financeiro, além de seu público nas redes sociais. A estratégia, no entanto, tem feito com que ele aumente seu isolamento em relação a outros líderes mundiais, a governadores e prefeitos, ao Congresso, à Justiça, que tem derrubado medidas suas em série, e a setores mais amplos da sociedade, que têm intensificado os protestos na forma de panelaços diários. A controvertida estratégia mostra, mais uma vez, que o presidente tenta se sustentar de pé na base do método tentativa e erro diante do que poderá ser a maior calamidade do século. Pressionado por empresários que o apoiam, Bolsonaro adotou essa linha de defender o afrouxamento dos controles para favorecer a economia numa estratégia na contramão do que acontecia no resto do planeta. A mesma ideia prevaleceu em Milão, na Itealia, no início da chegada da doença na cidade. Um mês depois, o prefeito de Milão veio a público reconhecer seu erro, depois de mais de quatro mil vítimas fatais.”, disse o BR Político. 

“Passará o tempo e ficará a lembrança de que, durante a epidemia do Covid, o presidente da República fez confusões, gracinhas e provocações com delírios autoritários. Brincando com a crise sanitária, Bolsonaro causou estragos, mas os governadores e as lideranças parlamentares contiveram a ruína. Resta a crise econômica, paralela e duradoura. Nela, não haverá lugar para gracinhas, fantasias ou teatrinhos como que se organizou com amigos da Federação das Indústrias de São Paulo. A mente tumultuada do capitão produz frases desconexas. Um exemplo: ‘O povo tem que parar de deixar tudo nas costas do poder público’. Ele nunca recebeu um só centavo que não viesse das arcas do Tesouro, que é sustentado por esse mesmo povo. Para Bolsonaro, tudo ‘é uma questão de poder’. Nas suas palavras, ‘se acabar a economia, acaba qualquer governo, acaba o meu governo’. Engano, nenhum governo corre o risco de acabar, mas o dele depende de Jair Bolsonaro”, disse Elio Gaspari.

Enquanto isso... Em sua entrevista coletiva diária, o presidente americano Donald Trump deu um cavalo de pau nas orientações que vinha passando nas últimas semanas. Anunciou que o período de distanciamento social deve se estender no mínimo até o final de abril. Trump foi pressionado pelos especialistas liderados pelo doutor Anthony Fauci, principal epidemiologista dos EUA, que acenou com a possibilidade algo entre 100 e 200 mil mortos mesmo com as políticas de contenção. Bolsonaro é, agora, o único presidente do mundo a questionar a quarentena. (CNN). 

Fonte: Meio.