24 de maio de 2022
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Investigado Ciro Nogueira é presidente do PP, Alcides Bernal um dos vices e Bolsonaro pede para sair

Mesmo sendo investigado na Operação Lava-Jato, o senador Ciro Nogueira foi reconduzido à presidência nacional do PP. “Confio nas palavras do ministro do STF, Teori Zavascki, de que quem é investigado não é culpado", afirmou.

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O fato do senador Ciro Nogueira (PI), ser investigado na Operação Lava-Jato, por participar de esquema de arrecadação de propina no escândalo Petrobras, não é o único fato estranho na convenção do partido que encabeça a lista de investigados pela Operação Lava-Jato. O fato que envolve o Mato Grosso do Sul é a eleição de do ex-prefeito Alcides Bernal para uma das vice-presidências Nacional e o candidato do partido ao Governo do Estado em 2014, Evander Vendramini e do vereador Cazuza Oliveira como membros do diretório nacional”.

De acordo com o que informa a página do Partido Progressista, sob o título Em convenção, partido elege novo diretório nacional: "Em Convenção Nacional realizada nesta quinta-feira (11), o PP definiu o novo presidente do partido para os próximos dois anos. O senador Ciro Nogueira (PI), eleito por aclamação, vai substituir o senador Francisco Dornelles (RJ), que será presidente de honra da legenda. O deputado Mário Negromonte (BA) assumirá a vice-presidência.”

O partido tem três de seus cinco senadores (60%), 18 dos 40 deputados do partido (45%), oito ex-deputados e o vice-governador da Bahia, João Leão, investigados. O partido aprovou o afastamento das funções partidárias de quem for condenado por participação no esquema. Quanto à sua reeleição e o risco do PP ter seu presidente deposto pela determinação em afastar os envolvidos, Ciro Nogueira disse que "a resposta que tenho que dar é trabalhar. Estou confiante nas palavras do próprio procurador (procurador-geral da República, Rodrigo Janot) de que vai pagar quem for culpado, e do ministro Teori (Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal), de que quem é investigado não é culpado". Nogueira precisou aprovar uma alteração no estatuto do partido para permitir sua reeleição.

A recondução de Nogueira foi alvo de críticas de progressistas como Paulo Maluf (SP), que em entrevista ao Estadão em março disse que o presidente reeleito havia perdido "condições morais" para conduzir o partido. Houve um ensaio, por parte de alguns dos membros, em lançar a candidatura da senadora Ana Amélia (RS), mas não foi levada adiante por falta de garantias de que conseguiriam mais do que dez votos. Esse mesmo grupo apresentou moção pedindo o afastamento das funções partidárias dos denunciados, mas foi aprovada proposta do deputado Ricardo Barros (PR), que determina o afastamento apenas em caso de condenação.
 

Falando ao jornal O Estado de S. Paulo, o presidente do PP-RS, Celso Bernardi, autor da proposta descartada, disse que o partido sofre um enorme desgaste em sua imagem e deve uma resposta à sociedade, aquela mesma que vai às ruas combater a corrupção e pedir ética na política. O ex-deputado disse que o PP está envolvido em todos os últimos grandes esquemas de corrupção, citando Mensalão, Lava-Jato e Zelotes. "O partido não pode ter compromisso com erros individuais, nem ser guardião com desvios de conduta e mal feitos", afirmou.

Jair Bolsonaro pede desfiliação

Deputado mais votado nas últimas eleições, com 464.572 votos, Jair Bolsonaro pediu sua desfiliação do partido, durante convenção nacional da sigla, em Brasília, alegando durante discurso que tem sonhos, mas não tem espaço no partido.

"Com muita dor no coração, quase com lágrimas nos olhos, para que não tenha um sonho interrompido - e o meu sonho é o Brasil, não é o partido -, peço humildemente ao prezado senador Ciro Nogueira que, sem perda do mandato, me conceda a minha desfiliação do Partido Progressista", disse o deputado que tem a intenção de disputar a Presidência da República em 2018.